Texto e fotos por Daniel Greg

Pratico MTB desde 2007 e desde então tinha a ideia de fazer cicloturismo, estava procurando algum tipo de viagem para fazer neste ano de 2017, coloquei como meta, pelos menos uma. A procura começou em sites e em conversas com amigos, até que surgiu a viagem CORPURSCHRISTI BIKEPACKING MANTIQUEIRA 2017, no site kalapalo, a proposta era pedalar cerca de200 km por estradas de terra e trilhas acampando selvagem ao longo do caminho. Uma aventura100% autossuficiente. De imediato me conquistou a ideia de ser autossuficiente, levar barraca,roupa, sistema de dormir e alimentação na bike e o mais importante, poder fazer trilhas fechadas, descidas técnicas ou pedalar por qualquer terreno. A partir de então, tive acesso ao blog bikehandling, onde contribui com a impressão do Zine, Manual Brasileiro de bikepacking e mantive contatos constantes com o Guilherme Cavallari da editora Kalapalo e fechamos a viagem.

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EQUIPAMENTOS
Fiz pesquisas em diversos sites estrangeiros sobre o bikepacking  (no Brasil somente o bikehandling e o site da editora Kalapalo têm boas informações), peguei varias orientações com o Guilherme Cavallari e acabei adquirindo o equipamento completo (bolsa de selim, quadro e guidão da empresa norte-americana Blackburn) optei por esta marca por ser de material estanque e facilmente removível do guidão e do selim , além de ter um custo que cabia dentro das minhas possibilidades financeiras. Com relação ao sistema de dormir iria aproveitar o que a expedição estava oferecendo (saco de dormir, saco Bivaque e isolante EVA). Com o Zine, Manual Brasileiro de bikepacking , em mãos, me orientei com relação às ferramentas, kits e outras informações (devo ter lido umas 10 vezes).

PREPARAÇÃO FÍSICA
Sempre fui atleta, pratiquei alguns esportes como futebol, jiu-jitsu, e por último tennis, além da musculação para evitar lesões. Já estava pedalando regularmente em trilhas de BH e cidades próximas como Nova Lima e nos feriados em Três Pontas, sul de Minas.  Participei de trilhões em Pará de Minas-MG e provas como a CIMTB em Congonhas-MG. Estava condicionado, mas para viajar 4 dias, 200 km e carregado, precisava de uma preparação mais forte, comecei a fazer spinning , musculação 4 vezes por semana, pedalar 1 vez por semana na cidade com bike aro 26” e pneu fino em torno de 40 km, além de trilhas no final de semana em torno de 30 km. Estava  bem preparado para enfrentar a maratona.

PREPARAÇÃO PSICOLÓGICA
Até então a minha experiência mais marcante na bike tinha sido um pedal em dezembro de 2013 quando pedalei durante 1 dia no deserto do Saara no Marrocos passando por vilas Berberes e penhascos na companhia de um francês e apoio de um Marroquino, e o que mais me marcou foi a minha capacidade de interagir e me superar em uma situação completamente adversa, sendo que começamos a pedalar com 11 graus e terminamos com 30 graus, no deserto a sensação do frio e do calor é bem forte. O que eu podia esperar desta nova experiência na Mantiqueira era me superar em todos os sentidos, saber até onde eu podia ir, conhecer os meus limites e medos e ultrapassá-los. Estas situações seriam vencidas com companheirismo e interação dos envolvidos na viagem. Este tipo de pensamento é que me move no meu dia a dia.

A VIAGEM  
TERÇA-FEIRA, 14 DE JUNHO 2017
Trecho de carro  – Belo Horizonte ao Refúgio Kalapalo, em Gonçalves-MG. Saí de Belo Horizonte, por volta das 11 horas rumo a Gonçalves-MG, chegando as 17:30 no refugio Kalapalo, onde me aguardava o Guilherme Cavallari. Iríamos fazer um treinamento juntamente com o Ricardo, um cliclista experiente de Brasília, para nos inteiramos sobre o bikepacking  e planejamento sobre a viagem. Jantamos juntos, conversamos sobre a vida, desafios, experiências e fomos assistir a um filme de bikepacking  no Alasca, papo descontraído, o assunto foi parar em meditação. Fiquei interessado pelo assunto e o Guilherme Cavallari  nos apresentou algumas técnicas. Meditamos juntos por 30 minutos. Não estava na programação, mas foi uma excelente experiência, que espero repetir outras vezes.

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QUARTA-FEIRA, 15 DE JUNHO 2017
Refúgio Kalapalo, em Gonçalves-MG
Acordamos cedo, tomamos um café da manhã da melhor qualidade e logo começamos a trabalhar. Fomos apresentados aos equipamentos apropriados para Bikepacking e montamos as nossas bicicletas para a viagem. Cada um de nós teria que levar um sistema completo de dormir, roupa apropriada ao inverno na Serra da Mantiqueira, comida para quatro dias, ferramentas para reparos de emergência nas Bikes, luzes para eventuais pedaladas noturnas, kit de higiene pessoal, kit de primeiros socorros e acessórios. Tudo ultraleve e supercompacto sem interferir no equilíbrio e dirigibilidade de nossas MTB. À noite, chegou o Sergio, ciclista experiente de Campinas e se juntou ao grupo.  A distribuição dos equipamentos e peso na minha bike ficou assim: no guidão estavam o saco de dormir, isolante EVA e kit de cozinha, na bolsa do quadro coloquei o kit de ferramenta, parte da comida, câmara de ar e bomba de ar, cartucho tecgas, na bolsa de selim coloquei minhas roupas e toalha compacta, na mochila estava a bolsa de hidratação de 2 litros, kit primeiros socorros, kit higiênico, kit emergência sol da traverse, carregadores de celular, lanternas de cabeça e lanches. Pesamos a bike e a mochila, que estavam com 9 e 5 quilos de bagagem respectivamente.

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QUINTA-FEIRA, 16 DE JUNHO 2017
Trecho – Refúgio Kalapalo, São Bento do Sapucaí, Campista
55km pedalados , elevação 1414 metros e máxima altitude alcançada 1650 metros,
velocidade média de movimento 12,4 km/h. Com as Bikes montadas,  saímos depois do café da manhã em direção a Campos do Jordão (SP). Confesso que a adrenalina estava a mil, acho que era a sensação de todos os participantes. Logo na saída notei que apesar de estar carregado a dirigibilidade da bike não comprometia, estava pedalando confortável. A primeira parada foi no mirante do Serrano, onde pudemos apreciar a linda vista e verificar o topo da montanha, a qual chegaria ao final do 3º dia. Descemos os 500 m verticais do Serrano, passamos por São Bento do Sapucaí (SP), forrada de tapetes de serragem para a procissão de Corpus Christi, e subimos a Serra do Monjolinho em direção a Campos do Jordão (SP). Essa serra íngreme e longa, de quase 600 m verticais, passa pelos bairros rurais Baú do Meio e Baú de Cima, acompanhando o Rio do Baú quase todo o tempo. A imponente Pedra do Baú decorou o cenário à nossa esquerda boa parte do caminho. O clima estava perfeito. Céu azul, temperatura amena, sol quente, mas não muito forte e pouco vento. Cada um no seu ritmo, reagrupando a cada tanto, chegamos ao topo da serra e ao bairro Campista, já em Campos do Jordão. Hora de procurar um local para acampar. O Guilherme Cavallari  conhecia um sequência de trilhas em singletrack — caminhos estreitos por onde só passa uma bicicleta por vez —, que liga o Campista à fábrica de água mineral MINALBA, onde um local isolado e apropriado para passar a noite, chegamos por volta das 17:00. Montamos acampamento às margens do Rio Sapucaí num bosque preservado logo depois que saímos do asfalto do Campista. Montamos as barracas, rede com toldo e saco bivaque, trocamos de roupas e nos agasalhamos, olhei no termômetro do celular e já estava beirando 10 graus, o local era fechado e bem úmido. Cozinhamos polenta com atum, azeitonas verdes e queijo parmesão ralado e pimenta para o jantar ( menu do chef Guilherme Cavallari  rsrs) . Não faltou chocolate de sobremesa e muito chá de camomila para relaxar. Eu dormi num saco de dormir dentro de um saco de bivaque no avanço da barraca ultraleve para uma pessoa que o Sergio trouxe.O local que dormir era desnivelado , eu escorregava para fora do avanço e voltava , o isolante  EVA hora estava por baixo, hora de lado e por fim estava sobre a minha cabeça, mas consegui descansar um pouco,  e como era o meu primeiro acampamento, já estava batizado. O Ricardo dormiu na rede com toldo em uma árvore meio caída, desenraizada, que parecia firme, mas não era. O resultado foi que no começo da noite a árvore terminou de deitar e a rede de dormir virou saco de bivaque encostado no chão, vá entender!

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SEXTA-FEIRA, 17 DE JUNHO 2017
Trecho – Campista, Roseta distrito rural de Wenceslau Brás-MG 55 KM pedalados, elevação 974 metros e máxima altitude alcançada 1468 metros, velocidade média de movimento 14,4 km/h. Acordei um pouco resfriado, nariz congestionado, desmontamos os sistemas de dormir, tomamos o café da manhã a base de granola com leite em pó, café solúvel forte, queijo ( uai !) e  biscoito salgados. Arrumamos todo o local de estávamos sem deixar rastros de nada e fomos embora. Uma sequência de singletracks nos levou do local do primeiro acampamento selvagem até o final do asfalto da estrada na MINALBA. Nesse trecho, o estilo bikepacking mostrou sua eficiência, pedalamos como se não estivéssemos carregando nada nas Bikes, tamanha desenvoltura e equilíbrio. Descemos por mais de 30 km os quase 550 m verticais até o asfalto da estreita rodovia BR 459, sempre companhando o lindo Rio Sapucaí, que foi uma importante referência geográfica constante em nossa mini-expedição. A descida foi maravilhosa tanto pela paisagem, quanto pelo trecho, nele pude descansar um pouco as pernas, deixar a bike rolar e principalmente sentir o vento na cara e aquela famosa sensação de liberdade que vale a pena todo o esforço em cima de uma bicicleta. Claro, parada para as fotos e reaperto do parafuso que segurava o cabo do freio hidráulico dianteiro no garfo.

 

Quando chegamos ao asfalto e paramos para comer algo, discutimos as possibilidades e mudamos o itinerário. Seguir até Delfim Moreira elevaria demais nossa quilometragem e nós provavelmente não chegaríamos ao ENCONTRO NACIONAL DE CICLOTURISMO a tempo da palestra que seria ministrada pelo Guilherme Cavallari. Um motoqueiro local nos indicou uma estrada que subia acompanhando a margem oposta do Rio Sapucaí e que nos levaria até o fundo e no topo do HORTO FLORESTAL DE CAMPOS DO JORDÃO.

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Subimos sem descanso por quase 20 km até Roseta, era subida que não acabava e já estava escurecendo e a estrada tinha muitas árvores o que não deixava o sol iluminar muito, nestes momentos você se faz aquela pergunta “o que estou fazendo aqui !?!?”, mas depois de cada subida, na teoria, tem uma descida e neste caso tinha uma meia descida, pois logo chegamos a Roseta, uma linda vila de pouquíssimas casas onde decidimos passar a noite. Mas havia um detalhe: era aniversário da localidade ou do santo padroeiro, sei lá, e havia um palco montando para um show ao vivo de música sertaneja. Por outro lado, a festa nos possibilitou banho quente no salão paroquial e um banquete com macarrão, arroz e farofa que repôs todas nossas energias com sobra. A alternativa era MIOJO com molho pronto de tomate. Rolou até uma cervejinha no jantar. Ninguém reclamou da mudança na programação ou no cardápio. Montamos o acampamento num local relativamente protegido do som, atrás de um tipo de depósito de produtos agrícolas numa área de charco, neste dia eu o Sérgio montamos a barraca em local mais plano, escolhido a dedo por mim, pois não queria mais escorregar dentro do avanço. Ficamos um pouco na frente da igreja batendo papo até terminar a missa e voltamos para o acampamento, mas, só conseguimos dormir mesmo quando a festa terminou, às 2h da madrugada. Na madrugada a temperatura estava perto dos 8º graus.

SÁBADO, 18 DE DE JUNHO 2017
Trecho – Roseta distrito rural de Wenceslau Brás-MG, Horto Florestal de Campos do Jordão e espaço Araucária 57 KM pedalados, elevação 1993 metros e máxima altitude alcançada 1876 metros, velocidade média de movimento 11,5 km/h. Novamente acordei resfriado, nariz congestionado, desmontamos os sistemas de dormir, tomamos o café da manhã a base de granola com leite em pó, café solúvel forte, queijo (uai !) e biscoito salgados. Arrumamos todo o local de estávamos sem deixar rastros de nada, como manda a cartilha e voltamos a pedalar rumo ao Horto Florestal de Campos do Jordão.

O dia prometia ser muito longo, com muita quilometragem e muita elevação. A primeira subida foi de 6 Km com inclinação de 14% e mais de 500 metros de verticalização, comecei a sentir o esforço nas pernas e talvez pelo resfriado me prejudicou um pouco, mas ao final da subida fomos brindados com uma paisagem surreal.

Seguimos em direção ao Horto e após a placa de entrada no parque, começou a diversão que todos os Mountain bikers curtem, descida entre mata fechada, não muito íngreme e constante, foi simplesmente sensacional, mais uma vez parecia que eu não estava carregando nada na bike, hora deixava rolar solto, hora segurava um pouco no freio, tudo sob controle. Chegamos à entrada principal do horto e seguimos pelo asfalto rumo a MINALBA, paramos em um café na beira da estrada, tomamos chocolate quente e comemos algo mais substancial e continuamos viagem mais subida e depois mais descida, desta vez pelo asfalto. Após passar a MINALBA, seguimos por terra em direção ao Espaço Araucária, neste trecho fiquei para trás, pois senti um pouco de câimbras na coxa da perna direita, era o meu corpo me avisando do limite, continuei empurrei um pouco a bike e consegui chegar no topo onde o pessoal me aguardava. O Guilherme Cavallari  me avisou que agora era só descida. Pois no inicio desta última subida encontrei uma senhora e perguntei se a subida era longa e ela me disse que não, que logo ali em cima terminava e eu acreditei, subi mais de 3 km, para quem já tinha pedalado mais de 50km subido mais 1500 metros de elevação, qualquer 100 metros vira um martírio, xinguei um bocado cada metro que eu subia! Mas a perdoei, com certeza, pois aqui em Minas quando você perguntar a alguma pessoa e ela falar é logo ali, tá chegando, pode se preparar para andar muito….

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Começamos a descer os 3km finais e encontramos vários ciclistas que estavam voltando de passeios e participando do ENCONTRO NACIONAL DE CICLOTURISMO neste momento me dei conta que  tem muita gente boa pedalando e fazendo cicloturismo pelo Brasil e pelo mundo. Os ciclistas nos perguntavam sobre o bikepacking  sobre a viagem, sobre os equipamentos que estávamos usando e etc.

Novamente, montamos as barracas no camping, tomamos um belo banho quente, jantamos junto com os demais participantes do evento e fomos assistir às palestras da noite. Foi bem esclarecedor cada um a sua maneira, Eliana Garcia, fundadora do CLUBE DE CICLOTURISMO DO BRASIL ao lado do companheiro Rodrigo Telles, falou sobre transporte de bagagem em alforjes; Arthur Berberian mostrou o bike trailer que ele mesmo construiu e usa em suas viagens; e o Guilherme Cavallari falou um pouco sobre bikepacking. Três formas eficientes de transporte de equipamento para tipos diferentes de ciclistas.

Após as palestras fomos dormir desta vez o Sérgio me cedeu a sua barraca para que eu pudesse dormir melhor, já que eu estava um pouco febril e precisava descansar mais para me recuperar.

DOMINGO, 19 DE JUNHO
Trecho – Espaço Araucária, São Bento do Sapucaí, Refúgio Kalapalo
44 KM pedalados , elevação 1595 metros e máxima altitude alcançada 1836 metros, velocidade média de movimento 12,8 km/h. Acordei por volta das 6H30, estava me sentindo um pouco melhor, consegui dormir bem a noite inteira, tomamos café da manhã juntamente com os demais ciclistas do evento, tomei bastante líquido, pois estava com boca seca. Arrumamos os equipamentos nas Bikes, despedimos do pessoal e seguimos viagem. O Guilherme Cavallari  conseguiu, através de informações do administrador do Espaço Araucária, um atalho por trilhas até o asfalto do Campista que nos economizaria cerca de 20 km. Uma subida forte, mas relativamente curta, porém as minhas pernas já estavam pesadas, o fôlego já não era o mesmo, parava para respirar a cada 200 metros, mas subi na raça, empurrando em alguns trechos, que nos levou até um passo de montanha e, de lá, até o asfalto que liga o Campista com a entrada da Pedra do Baú. O início da subida no asfalto foi razoavelmente tranquilo, mas eu parava às vezes para respirar um pouco, no trecho final da subida comecei a sentir câimbras nas duas pernas, fiz alongamentos, mas não adiantou muito. Neste momento passava uma pick-up Strada, que me ofereceu ajuda, prontamente aceitei, coloquei a bike na caçamba e encontrei com o restante da turma antes da descida da Pedra do Baú , conversamos e optamos por eu terminar a descida de carona até a cidade de São Bento do Sapucaí, onde iria esperar o pessoal descer para seguirmos até o Refugio Kalapalo.

Estava na praça de São Bento do Sapucaí, esperando o pessoal chegar, quando surge um casal de ciclista da cidade (anotei os nomes na agenda do celular, mas não gravei e acabei perdendo os dados, se vocês lerem este relato entre em contato comigo), eles ficaram interessados em ver como a bike estava carregada e começamos a conversar sobre bike, viagens e etc.  Ofereceram-me carona até o refugio Kalapalo, pois ainda tinha uns 15 km de pedal e uma elevação de mais de 700 metros em 7 Km, por um breve momento pensei em não aceitar, pois queira terminar pedalando, neste momento pensei na honra, porém, atleta que sou aprendi a respeitar o meu corpo e minha mente. Considerando que eu não estava bem fisicamente por conta das câimbras e com certeza iria empurrar boa parte da subida do Serrano, sendo assim iria demorar umas 2 horas para chegar ao destino final, aceitei a gentileza. Lembrei-me do Tripé de equilíbrio que o Guilherme Cavallari  nos ensinou para quem pratica esportes, que é o Ser Humano/ físico-psicológica, habilidade/conhecimento equipamentos, todos tem que estar em harmonia, se um destes falhar compromete todo o sistema e foi o que aconteceu comigo, mais um grande aprendizado.

Pouco tempo depois o pessoal chegou, apresentamos uns aos outros, fizemos uma pequena resenha e colocamos a minha bike em cima do carro deles além da bagagem Guilherme Cavallari e do Ricardo, com exceção das bolsas do Sergio, que não quis saber de moleza e subiu a montanha carregando tudo o que tinha.

Cheguei ao REFÚGIO KALAPALO por volta da 15h00, encontramos mais outro casal de ciclistas, que nos viram na estrada, a bike montada em cima do carro e ficaram curiosos para ver de perto o estilo bikepacking , ficamos conversando sobre o mundo do Cicloturismo e narrei sobre minha viagem que acabara de acontecer, foi sem dúvida uma resenha e tanto com a troca de experiências e informações com os 2 casais de ciclistas, até fizemos uma programação para setembro de 2018, fazer o circuito vale Europeu em Santa Catarina.

Pouco antes das 16:00 começaram a chegar o Guilherme Cavallari , Sérgio e Ricardo, finalizando a aventura, nos parabenizamos pelo sucesso  e  por termos sidos guerreiros.
Desmontei todo equipamento, arrumei as malas, arrumei a bike sobre o carro,  tomei um belo banho quente, despedi dos meus novos amigos e as 17h:30min, liguei o carro e voltei para BH.

REFLEXÕES SOBRE A AVENTURA
Missão Cumprida! Este é o sentimento final, como narrado no início do relato esperava me  superar em todos os sentidos, saber até onde eu podia ir conhecer os meus limites e medos e ultrapassá-los, foi o que aconteceu, conheci os meus limites, medos? Não tive, pois estava fazendo o que mais gosto e o companheirismo e interação dos envolvidos na viagem, me fizeram mais forte. Como resultado ganhei mais independência, autossuficiência, confiança, conhecimento interior, preciso melhorar, com certeza, mas virão com o tempo em cima da bike, carregado, novas ideias e novos roteiros.
Estou pronto para a próxima jornada!

O QUE LEVEI NA VIAGEM

●Bike: quadro First Lunix 29’’, suspensão Rock Shox XC30, transmissão dianteira e traseira shimano Deore XT 20 V, relação coroa 22×38 e cassete 11×36, freios dianteiro e traseiro deore XT m8000.
●Equipamentos bolsa: bolsa de selim Outpost Seat Pack, bolsa de quadro Outpost Frame e bolsa de guidão Outpost HB roll & Dry Bag todos da Blackburndesign
●Sistema de dormir: saco de dormir exosphere +2 Deuter, saco de bivaque, barraca do Sérgio MSR Hubba NX, isolante EVA
●Roupas:  2 camisas de ciclismo, 1 bermuda, 1 balaclava, 1 jaqueta corta vento e impermeável, 1 sapatilha, 1 par de manguito
●Roupas de acampamento: 2 camisas segunda pele, 1 jaqueta fleece, 1 calça segunda pele, 1 calça training forrada, 2 pares de meia de lã, gorro, 1 par de tênis
●Kit de reparos e manutenção: 1 câmara de ar reserva, remendos, cola, chave multi-uso com chave para corrente, tiras de pneus cortadas, 1 gancheira reserva, 1 power link
●Kit de emergência: SOL Traverse Survival Kit e Filtro de água SAWYER MINI, kit farmácia com remédios mais comuns tipo dorflex, aspirina, naldecon, gaze e afins
●Kit cozinha:  Kit Odoland completo com caneca, mini fogareiro e cartucho de gás
●Kit higiene: pasta de dente, escova, fio dental, protetor solar, toalha microfibra compacta
●Alimentação levada na bagagem: Polenta em pó, atum, azeitona, miojo, molho de
tomate, queijo, granola, café solúvel em pó, leite em pó, chocolate, banana, bolacha
salgada, açúcar, sal, pimenta

 

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