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Desde o dia 8 de Dezembro/16, não escrevo absolutamente nada. Foram mais de 2600km sem fazer praticamente nenhuma anotação. Os registros fotográficos salvaram a criação desse texto que, por sinal, pude evoluir um pouco no sentido de parar de pedalar mais vezes para registrar momentos interessantes. Outros mais marcantes, apenas vivi.

Saí de Mar del Plata depois de descansar 5 dias em um hostel familiar. Esse foi o primeiro momento que investi grana em cama, cozinha, internet e conforto. Eu não conhecia ninguém na cidade e tampouco usava o Couchsurfing e Warmshowers como uso atualmente

Eu estava na Província de Buenos Aires, era Dezembro e o clima era mais calor que frio. O vento apresentava sinais de força com mais frequência que as estradas anteriores e sentia uma pré-disposição pra pedalar. Sempre mais devagar que o normal. Numa dessas, conheci Emilio Fumero, um cicloviajante que começou a viajar com 50 anos de idade e que há 13 anos viaja pela Argentina. Me espantou saber que ele percorre quase sempre as mesmas estradas. Nesse recorridos encontra trabalho em estâncias de gado e soja, parentes e amigos. Com o passar dos anos, se desfez de muitos equipamentos: bolsas impermeáveis, sacos de dormir, barraca, fogareiro. Sua carga é mais leve, porém depende de comidas prontas e muitas vezes de um teto como galpão, ponto de ônibus, etc. Algumas pessoas auxiliam com comida e isso facilita um tanto. Durante um trajeto de um pouco mais de 250km nos vimos umas três vezes, partilhamos um acampamento, alguns mates, um café da manhã e muita conversa. 

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Uma família de uma cidade com um nome cheio força me recebeu em sua estância de uma forma muito gentil e calorosa. Eu estava passando pela estrada quando avistei um pasto verde e perfeito pra montar a barraca e passar uma linda noite. Lola Moreno e toda sua família comemoravam um aniversário. O quanto nós rimos nesse dia!

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O percurso até a cidade de Três Arroyos foi demorado. Parava muitas vezes e pedalei pouco por dia. Tinha muitas novidades geográficas e climáticas: colinas, vento e calor mais intenso, além da presença do Emilio que cada vez que eu parava “charlava un montón”. Chegar a Três Arroyos significava começar a rodovia que me levará até o Ushuaia – Ruta Nacional 3 que comecei a percorrer no KM495.

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Cheguei com o mel pra adoçar o mate do amigo.
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Refúgio da ventania repentina.

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Acampar nas escolas está sendo uma das melhores experiências

Até agora foram quatro as escolas rurais que acampei. Em uma delas, dormi Bivak e custei a levantar no dia seguinte. Achava que a escola estava de férias. Por volta das 7h, um veículo chegou e recebi o bom dia da professora. Que vergonha! No final tomamos um mate juntos e conversei um pouco sobre meus outros acampamentos. As crianças começaram a chegar por volta das 8h e eu já estava de saída.

Em Tres Arroyos, conheci o Aeroclube da cidade, acampei numa sociedade rural, conheci uma família gente boa que rendeu um papo até altas horas da madrugada e o Filipe Leite, que está percorrendo  Canadá > Ushuaia em cavalos. Com a onda de Sociedades Rurais da região, pude acampar outra vez em outra Soc. Rural, dessa vez em Coronel Dorrego.

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Esse Cessna foi usado por uma equipe de suecos em um campeonato de voo de precisão em 1990.

Em Dorrego, despertei cedo com um vento chato. A meta era pedalar 110km até Bahía Blanca. No decorrer da manhã, fui parado por uma pickup solicitando para que eu saísse temporariamente do acostamento para que seja possível a passagem de um tremendo caminhão pela rodovia com toda segurança para ambos. Logo à frente em um acostamento mais largo, a equipe composta de uma pickup, um bruto caminhão que transportava uma parte da estrutura de uma usina termoelétrica e outro carro menor parou para descansar e pude conversar um pouco com eles. Perguntei se poderiam me dar carona até Bahía Blanca, pois eu não tinha grandes ânimos de pedalar com vento quente o restante do dia. Jorge Lopez, policial rodoviário aposentado que trabalha eventualmente na atividade do momento, amante de viagens em moto e um pouco de aventura respondeu um sim espontâneo. Maravilha! Chegando em Bahía Blanca, verifiquei no mapa que se percorresse toda a costa, faria quase 400km até San Antonio Oeste. A carona poderia me levar até o centro da província e parariam na cidade de Choele Choel. Resolvi avançar junto com eles e isso fez com que eu ganhasse 400km em direção ao Ushuaia. A maior carona até agora. Percorremos o trecho a velocidades de 40km/h a 60km/h, pois o caminhão enorme precisava de calma e atenção. Biscoitos, mates, papo e soneca. Foi assim que atravessei o Rio Colorado e entrei na Patagônia. Não soa nada triunfal, porém confortável e recompensador. Ganhei uma hospedagem de hotel, pizza e cerveja. Tudo isso partilhando da final entre River Plate e Boca Juniors em um autoposto da cidade. Boca Juniors levou a taça pra casa. Saudações ao caminhoneiro rastafari!

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Elevei as energias e até o vento virou e me ajudou por 80km. Pedalar na Patagônia nessas condições pela primeira vez foi incrível. Ao final da tarde, eu não tinha grandes opções de acampamento, o calor começou a pesar drasticamente junto com o aumento do vento. O clima muda facilmente por aqui. A paisagem árida e ausente de árvores começou a me chatear de novo. Saudades de casa, pessoas, falta de ânimo e uma conversa um pouco investigativa sobre minha vida por parte de um senhor de um pequeno povoado local chamado El Solito me deixou embargado e chorei um pouco. Faltavam 90km até San Antonio, meu destino planejado onde tinha um contato da rede do WarmShowers que possivelmente me abrigaria. Comecei a pedalar fortemente na tentativa de aliviar os sentimentos, parei novamente e pensei em acampar ali mesmo. Avistei um caminhão da YPF e decidir fazer o sinal de carona pela primeira vez e rolou. Conheci o Gallego, piloto do caminhão 14 que me levou até Las Grutas, uma cidade próxima à San Antonio. Ele indicou essa cidade como mais tranquila, com um lindo litoral e camping público. Cheguei na cidade antes de anoitecer, comi damascos de uma árvore, conversei com pessoas locais e fui pesquisar os campings. Em um momento inesperado, conheci a Caro, que já havia feito uma viagem de moto com seu companheiro por toda a Ruta 40 e hospedava moto viajantes. Ela me convidou pra acampar em sua casa e partilhei de momentos com sua familia por 4 dias. “A COMEEEER”, como dizia Caro toda vez que a comida estava à mesa! Conversei muito com Maxi sobre política e formas mais leves de viver a vida e dei alguns passeios com os jovens filhos do casal. Também participei da inauguração de uma arte Mapuche no seu bairro feito por um casal local. Um momento muito íntimo da comunidade que pude fazer parte.

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No caminho entre Las Grutas e Puerto Madryn, acampei num auto posto em Sierra Grande, a primeira cidade com empresas de extração de minérios da viagem. Essa grande empresa foi vendida para os chineses há mais de 10 anos. A privatização é pesada por aqui.

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A extração de minérios ocorre a 300m abaixo destas cadeias de montanhas.

Pude conhecer alguns caminhoneiros, já que minha barraca estava próxima de vários. Dormi tarde e acordei cedo. A meta era avançar até a entrada da reserva natural na Península Valdes, porém faltando 90km a corrente da bicicleta fadigou algum elo, se rompeu e o câmbio traseiro entrou na roda e rachou diversas furações do aro. Que merda, olhei a situação e novamente aquele choro embargado veio à tona junto com o calor. A prática de pedir carona estava alta e em 15min parou um carro familiar pra perguntar se não precisava de mais nada além da carona, já que não poderiam ajudar como eu precisava, porque seu veículo estava cheio de bagagens. Ganhei uma Coca Cola como incentivo. Passadas quase 1h, outra família e um carro mais espaçoso parou e me ajudou. Já tinha tudo desmontado e só precisava ajeitar as coisas no porta bagagens. A carona me levou pra cidade de Puerto Madryn. No caminho falamos sobre trabalho e religião e fomos em lojas de bicicleta à fim de encontrar um novo aro e suporte na montagem. Por sorte conheci o Nacho que indicou um local pra comprar o novo aro e se disponibilizou em me ajudar na montagem. Depois de nos assegurarmos de que eu estava com todo o suporte, a família se despediu de mim. Foram lindos e sou muito agradecido. Com Nacho conversei bastante, apresentei a Pedal Express e a Cuore e ele me apresentou Hernan Denk e sua companheira e vizinhos da oficina para que eu pudesse me hospedar e dormir tranquilamente pra sair no outro dia. Hernan e sua companheira são viajantes. Conheceram boa parte da América em moto e no momento que os conheci estavam com tudo pronto pra sair em bicicletas rumo ao Uruguai. Pude conversar muito com o Hernan e saber de seus ideais de vida. O faça-você-mesmo foi a característica mais forte que pude notar nele. 

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Arte conceitual.

A bicicleta não estava 100%. Já havia diagnosticado um desgaste extremo do sistema de transmissão e, com auxílio do Nacho e via Telegram com o Ogro + Garça(mecânico que fez a revisão antes da minha partida, em Porto Alegre), constatamos que as coroas, corrente e cassete deverias ser substituídos. Foram quase 3000km pedalados e um desgaste fora do normal. Creio que sair do ponto inicial com todo o kit novo exceto as coroas possa ter sido a causa do problema. Nacho deu a dica de comprar as peças em Trelew, 60km dali e foi isso que pedalei em um dia com muito vento.

Mais uma vez eu não conhecia ninguém e não ativei o Couchsurfing. Fui para o hostel El Agora, meu chamado para o conforto. Na cidade comprei as peças e substituí tudo, desfrutei do hostel e dos amigos que lá viviam e trabalhavam. Pela primeira vez apliquei uma forma de trabalho na viagem: venda de fotografias impressas e sem preço na praça de Trelew. Era dia 24/12, me posicionei com a bicicleta perto de uma feira de artesãos. Em menos de 60min, vendi quase todas as fotos, conheci quase toda a feira, partilhei de muita conversa e ajudei a encerrar a feira. Essas histórias que estão acontecendo na viagem são fascinantes. As coisas acontecem de uma forma inesperada e sempre linda.

“A venda sem preço foi uma prática que conheci em Porto Alegre onde diversos coletivos e pessoas do meio que convivo o fazem. No resumo incentivar a autonomia e o bom senso.”

Voltando para o hostel, os amigos me convidaram pra passar o natal com eles e sem custo de hospedagem. Não comemoro datas como Natal e Ano Novo principalmente e não teria problemas de passar na estrada ou algo assim. O convite de estar junto de boa gente foi ótimo. Bebidas saborosas, muita conversa, desabafos e uma festa local fizeram parte desse cenário natalino.

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Saí dia 26/12 com a meta de chegar em Comodoro Rivadavia em 6 dias. Seriam 375km de muito vento e calor, as impertinentes intempéries. Passei pela estrada que leva até a reserva provincial Punta Tombo e decidi entrar. Seriam 60km de acesso fora da rota principal, sendo 25km em rípio agressivo. O vento a favor permitiu que eu alcançasse quase 40km/h junto com boas inclinações e curvas fechadas. Foi extremo pedalar pesado nessa estrada!

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Primeira foto usando o temporizador. Depois desse registro, tudo mudou.

Cheguei no parque às 17h e as atividades encerravam às 18h. Troquei ideia com o guardaparque para saber se poderia acampar sobre a vasta área longe do acesso aos pinguins de Magalhães, com a maior concentração da espécie no mundo:

  • Acampar no se puede.
  • Yo tengo que volver a entrada de parque para quedar una noche y volver por la mañana?
  • Si.
  • Estoy en bici, llevaré cuase 2h para volver. (a volta tinha vento contra e mais subidas)
  • No puedo hacer nada por vos.
  • Ok, me voy. Que pase bién.

Além disso, soube que o custo do ingresso ao parque pra estrangeiros eram 250 Pesos Argentinos, quase R$60,00.

Evidentemente, eu não cumpri com o que fora proposto pelo guarda. Pedalei 3km e adentrei sobre terra e areia até um dos melhores lugares que pude acampar na viagem.

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No outro dia, despertei e fui ao parque mesmo contra minha vontade de pagar tanto pra conhecer os pinguins. Como eu já estava lá decidi desembolsar a verba. O lugar é lindo e pude presenciar os pinguins de perto e me decepcionar com o tamanho da área de acesso permitida aos turistas comparada com toda a imensidão do local. Conheci a Thais Stor, bióloga de Recife que foi trabalhar na reserva pela segunda vez – também privatizada e sob a administração dos EUA. Ela contou que os bancos de dados e todo o trabalho feito na área é eficiente e gera muitos estudos sobre a fauna. Depois de muito conversar e horários que passavam das 16h, decidi ficar mais uma noite acampado no parque e novamente posicionei a barraca numa linda vista entre dois morros de pedra. Já de manhã, saí cedo e comecei o trajeto de volta à estrada principal.

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Decidi fazer o retorno todo em rípio usando a estrada RP1. Foram quase 90km em terreno pedregoso.

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Comodoro Rivadavia estava distante 200km e eu não estava desfrutando da viagem como gostaria. As condições climáticas estavam me matando; calor não é para mim… Nesse mesmo dia que pedalei a estrada de rípio, encontrei um moinho e um reservatório de água perto de uma estância e me abasteci do líquido; também me atirei na água e tomei um banho de “piscina”. Pedalei mais uns 15km e decidi dormir Bivak na estrada, sem barraca e sem janta.

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Teto iluminado.

No segundo dia, contemplei o nascer do sol à minha frente e comecei a pedalar cedo. Fiz 90km com esforço até um posto de combustível desativado de Uzcudún. Mais uma noite de bivak, dessa vez com janta.

As noites sem barraca foram possíveis já que nesses dias a temperatura era agradável à noite, com ausência de vento. Dia seguinte pedalei 20km até o auto posto de Garayalde, um YPF super estruturado com água e wifi. Conectei à rede mundial de computadores com vontades de desistir da viagem. Troquei mensagens com os amigues e recebi o incentivo vital para continuar firme. Desistir depois de estar aqui certamente seria frustrante e mais um dos meus planejamentos que começaria a fazer e não terminaria.

Fiquei no autoposto até quase 17h. O verão patagônico possui uma peculiaridade: a noite escura e a presença da lua chegam só depois das 22h. A estratégia adotada para os dias quentes foram pedalar cedo, parar ao meio dia pra comer e descansar onde havia sombra e voltar a pedalar depois das 16h.

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Saí com muita energia e vontade de chegar em Comodoro Rivadavia. Teria 190km até lá e isso representariam dois dias de pedal. Próximo das 20h, eu já tinha feito quase 70km e me sentia bem. Queria pedalar até fechar 110km de distância para fazer no dia seguinte.

Em um ponto da estrada, recebi buzinadas amistosas de uma Kombi do Brasil e fiz gestos para pararem para conversarmos e nos conhecermos. Greg, da Bélgica, e Jéssica, brasileira de São Paulo, estão viajando pela América com sua Kombi adaptada para as necessidades do casal. Mesmo não pedindo, a carona surgiu. Compartilhamos histórias e uma boa janta feita num camping que encontramos perto da entrada de Comodoro Rivadavia. A meta do casal era chegar no Ushuaia e subir pra Santiago de Chile (clássico). Na capital chilena queriam trabalhar e voltar pro Brasil depois de 6 meses ou quase isso. Nas conversas comentaram do  Mickaël Lacassagne, um francês que havia saído de Buenos Aires rumo a Ushuaia. Haviam oferecido caronamas ele negou. Pedalar durante todo o circuito planejado fazia parte do seu objetivo. Greg passou meus contatos a ele e possivelmente nos encontraríamos.

Comodoro Rivadavia é a maior cidade do leste patagônico e seus quase 150.000 habitantes. Cidade dos ventos com rajadas de 80 a 100km/h são bastante comuns durante vários dias. Possui a maior fonte de petróleo da Argentina e devido a isso, há muitas pessoas que vivem temporariamente e que foram atraídas pelas ofertas de trabalho. Com sorte havia conseguido um contato super rápido com Franco Mella, através do WarmShowers, e isso garantiria uma estadia de 3 dias (conforme eu havia planejado).

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Franco: “Patada, Patada, Marcelo, Marcelo”
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Tete, meu irmão mais novo desaparecido.

Cheguei em sua casa dia 31/12 e partilhei da festa de final de ano com sua família e amigos. Dormi extremamente bem até o dia seguinte e acordei tarde. Franco havia saído na noite anterior e o rapaz retornou para casa só às 22h e algo. Chegou em sua casa com mais uns amigos para buscar-me para comermos algo na casa de Julian e Mari, seus amigos. Conheci pessoas com muitos gostos em comum incluindo a música, viagens e alimentação (Mari é vegetariana). A Argentina possui muitas bandas de rock nacional com influência estrangeira e criações locais. Almendra, Animal, Sumo, El mato un Policia Motorizado, Los Natas e Dietrich são algumas bandas que eu curti bastante conhecer. Franco faria aniversário dias à frente e resolvi ficar pra festa e também pra um recital da banda Patrulla Espacial. Foram 10 dias de descanso, reuniões dançantes, bebidas saborosas, passeios de bicicleta nas montanhas áridas  que Tete me havia me levado e jogos de futebol! 

No dia que saí de Comodoro, Franco me acompanhou  no pedal até a cidade/bairro de Rada Tilly, distante 18km de Comodoro. Depois de um Chá e uns biscoitos à beira mar, nos despedimos e seguimos para lados opostos. 

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Os relatos do recorrido de Comodoro à Rio Gallegos postaremos em outro momento para deixar a leitura mais agradável. Obrigado por tudo amigues distantes e presentes.

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Subtraindo a kilometragem de caronas desse percurso, pedalei 1272km.

Strava da rota: https://www.strava.com/routes/7483040/edit

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