Depois de 7 meses praticamente sem pedalar, uma viagem de 156kms para Barra do Ouro. As arrumações duraram poucas horas, uma vai comprar isso, outro vai comprar aquilo, e das 18h às 23h, estava tudo pronto para a partida.

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Eu fui com meu kit de bikepacking completo: bolsa de selim, quadro e guidão; levei também mochila de hidratação(1,5L). O Ogro optou por ir com dois alforges pequenos na parte traseira da bike e uma mochila de 22 litros. Acordamos as 4:30am, saímos de Porto Alegre as 5:15, noite ainda, afim de fugir do calor. E conseguimos, acho que estava na casa dos 10 graus pela manhã. Fui me aquecer só pelas 8:30, quando já tinha desistido de sentir meus pés. Amanhecer na estrada pra mim é isso, sentir o corpo aquecendo, mostrando que está vivo, quando o primeiro raio de sol bate na pele descongelando os joelhos, pés, mãos…

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Aqui, nos últimos tempos, fazem todos os climas em um dia só, então acho que já estou acostumada a sempre passar frio, depois calor e depois frio, e com os equipamentos que temos acesso, fica mais complexo viajar preparada para todas as estações com um volume e peso de carga satisfatório.

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Bom, voltando ao que interessa, pegamos a freeway e já estava raiando o dia, não estava tão movimentada quanto eu esperava. Logo nos primeiros kms os diferentes ritmos de pedalada já se mostraram, fomos nos distanciando, cada um no seu ritmo, pensei que precisava me guardar para o final, meio e inicio da viagem, devido ao meu mau preparo físico.

Para viajar com pessoas que pedalam em ritmos diferentes, é importante que estejam traquil@s em pedalar desacompanhad@s em alguns momentos. É pior que uma pessoa tente seguir o ritmo da outra (forçando ou brecando), isso gera um cansaço demasiado. É bom combinar algumas pausas de reencontro e manter a comunicação. Além disso, é sempre importante que cada pessoa esteja completamente autossuficiente com os reparos básicos da sua bike (imagine furar um pneu e depender de outra pessoa para arrumar).

Às 10h/10h30 estávamos em Osório, comprando alguns alimentos mais pesados para levar. (lentilhas, polenta, molho, massa, cebola e mais algumas coisas. Desapegamos do peso e da economia de combustível porque estávamos indo descansar, não era nenhuma expedição.) Chegamos mais cedo que o previsto em Osório e isso me deixava bem motivada por não estar pedalando muito lentamente. Mas nesse momento senti que estava já com algumas dores e desconfortos, normal. Colocamos mais uns 3kg de alimentos nos alforges e seguimos viagem. A gente não sabe brincar.

Atravessar o túnel, logo antes da entrada para Maquine foi muito massa. Eu nunca tinha atravessado um túnel em auto estrada pedalando, devido à ausência do vento, acho que alcançamos uns 40 kms por hora, parecia que estávamos sempre em uma decida. Outro ponto positivo foi que, quando estávamos prestes a colocar as bicicletas para a passarela dos pedestres, um carro da DNIT(ponto positivo para as pessoas que gerenciam a passagem de ciclistas pelo túnel) parou atrás de nós e nos escoltou todo o seguimento do túnel, pelo acostamento. Pedalamos sem medo de ser felizes.

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Chegando em Maquiné, paramos na rodoviária para abastecer com água e saber a quantos kms faltavam até Barra do Ouro. Aqui, pegando água da torneira do banheiro da rodoviária, já senti o primeiro contato com a água sempre fresca da região. Ótimo!

Passamos pela pequena cidade e adentramos na estrada de chão que nos levaria até Barra do Ouro, eram 13h quando decidimos parar para almoçar. Comemos miojo com sopa instantânea e de sobremesa cubinhos de doce leite com coco. Dormimos um pouco e toda a parada durou 1h mais ou menos. Arrumamos tudo e montamos nas bikes para seguir viagem, eis que surge o primeiro e único pneu furado. Voooolta, troca, remenda e vamos.
Aqui pareceu que a viagem tinha um novo ponto de partida, começando do zero novamente, uma outra fase.

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Foram longos kms e longas horas pela estrada de chão. O calor já nos assombrava. Subindo com pouca inclinação mas subindo sempre. Chegamos em Barra do Ouro, paramos para um descanso e lanche (1 coca-cola e 1 melão inteiro, muito fresco) em um bar da cidade, sem muita demora seguimos.

Ao passar a cidadezinha de Barra do Ouro ainda andávamos por estrada de chão, e ao longo do caminho começaram a surgir pontes de concreto que cortam riachos incríveis e gélidos, um presente para esfriar a cabeça.

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Enfim, demorou mas chegou. Paraiso Paradise nos recebeu de braços abertos, gracias Edu e família por tudo (inclusive a bebêzinha Alice, com 2 semanas de vida). Chegamos por volta das 18h, tapados de poeira, cansados e muito felizes. Descansamos, nos hidratamos com água gelada nativa e logo arrumamos acampamento, antes de anoitecer. Preparamos um jantar maravilhoso com lentilha, arroz, feitos na cozinha comunitária do camping e começamos a conhecer as poucas pessoas que também estavam por lá.

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Fez bastante frio nessa noite, também por estarmos assoleados, pensamos que nosso equipamento não ia dar conta, mas coloquei todas as roupas que havia levado e me aqueci bem, dentro do saco de dormir. Foi uma boa noite de descanso.

Kilariou e levantamos pelas 8h, tomamos café da amanhã e por volta das 9h30 saímos pedalando, sem carga, para a cachoeira do Garapiá. Realmente, andar na estrada de chão sem carga e rápido, é sensacional. Me senti criança novamente, brincando com minha bicicleta. Ainda não tinha tido essa experiência depois de “adulta”.

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Chegamos com as bicicletas quase dentro da água, às 10h tomávamos um banho congelante na cachoeira e quando todos chegavam a gente já estava saindo em direção a cachoeira da Forqueta.

Pedalamos 1 hora, mais ou menos, também pela estrada de chão, e chegamos na entrada da trilha que levava até a cachoeira. Encontramos 4 pessoas tentando encontrar o caminho certo para a trilha, prestes a desistirem. Resolvemos ir todos juntos, atravessamos o rio com as bicicletas e trilhamos com elas até onde deu. Decidimos acreditar na humanidade e largamos as bicicletas no mato, fora da trilha, e seguimos a pé. A Forqueta impressiona pela sua imensidão, um paredão gigante, um buraco na terra, lindo demais. Voltamos para o camping e descansamos mais duas noites.

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A ideia inicial era voltar pedalando todo o percurso, também. Mas como a companhia e o lugar estavam muito bons, decidimos não acordar tão cedo e saímos no domingo, às 8h30. Nosso plano ela pedalar até Maquine e dali pegar um ônibus, mas como a previsão é de não existirem ônibus no domingo, imaginávamos ter que ir até Osório. E foi isso que aconteceu. Pegamos o ônibus as 12h20 em Osório, estávamos de volta em Porto Alegre as 13h30.

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