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Planejávamos sair em férias, eu (Daniela Arnold) e meu companheiro em novembro para conhecer a serra gaúcha. Como nossa experiencia com o esporte (ciclismo) é recente, planejávamos uma rota com nível de desafio e distancia proporcionais à nossa experiencia. Trabalho como ciclista mensageira na cidade de Porto Alegre há dois anos, através da Velo Courier, pedalando cerca de 200 quilômetros por semana e, desta vez, almejava aumentar para 300 quilômetros em 3 dias, aproveitando o roteiro para visitar parentes e amigos e dar início à minha primeira ciclo-viagem.

Partimos às 6 horas da manhã do dia 18/11/2016, da Zona Sul da capital rumo a Parobé – nosso primeiro destino. Optamos por começar a viagem no horário de menos trânsito e mais baixas temperaturas, pois parte inicial do caminho encontra-se com asfalto acidentado e estreitamento de pistas, com subidas e descidas acentuadas fazendo a estrada ser cansativa nos horários mais quentes. Da Av. Brasil até a Sertório, realizando as manobras necessárias, fomos recebidos com um incomum vento a favor a caminho de Cachoeirinha – cidade vizinha. Na RS-020 – pra completar as boas vibrações, fomos bem recebidos e muito respeitados como é de costume para aqueles lados, visto que a rota é muito frequentada por grupos de ciclistas (em deslocamento, turismo e etc.). Mesmo acostumados com o caminho, esta foi a primeira vez que viajamos com algum tipo de bagagem, subimos até Morungava acostumando com o balanço do equipamento. Utilizamos bolsas de selim Eleven Bags, emprestadas por nossos amigos Luis Felipe Ogro e Rafael Jimmy Barcelos – como era a nossa primeira experiência com bagagem, optamos pelo bikepacking, por ser mais leve, acessível e de fácil manuseio. Nas primeiras subidas foi bem engraçado acostumar ao novo balanço e velocidades da bicicleta, a relação mais usada deve ter sido 34×23 do pé da lomba até “lá em cima”.

Chegando “lá em cima” fizemos uma pausa na Tenda do Alemão – que além do detentor do título de “Melhor Caldo de Cana com Limão do Rio Grande do Sul” (em minha opinião e acredito que de muitxs) é o lugar ideal pra dar uma pausa nas pernas e receber boas energias dos presentes – sempre muito animadxs e simpaticxs com a chegada de ciclistas.

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Com vontade de ir pra Torres, descemos em direção à Taquara ainda pela RS-020. Sendo o início de muitas descidas, descemos devagar e com bastante cuidado visto que a estrada tem muitas curvas acentuadas. Chegamos à Parobé, na casa de meus avós – onde pernoitaríamos – a tempo de uma boa conversa e aquisição de conhecimentos gerais a respeito dos diversos aspectos da vida. Ao anoitecer a temperatura caiu bastante e, na expectativa do calor, acabamos não levando roupas para o frio, apenas um casaco – Anorak Storm, da brasileira Trilhas e Rumos.

Na manhã seguinte os termômetros marcavam 7° em Parobé e 4° em Gramado – nosso segundo destino – acabamos partindo apenas às 7 horas, quando o sol já se mostrava e só o anorak já era suficiente. Seguimos pela RS-115 passando rapidamente por Igrejinha e Três Coroas, onde numa tentativa falha subimos metade do caminho até o Templo Budista – descobrindo que do km 3 para cima é paralelepípedo com bastante inclinação – como estávamos de pneu 700×23 tivemos de abandonar a ideia.

De volta à 115 tocamos rumo à Gramado, pois ainda tínhamos 30km de chão para rodar. A estrada não possui acostamento nesse trecho, mesmo assim fomos muito bem recebidos pelos condutores. Com apenas uma caramanhola cada um, a água acabou rápido após nos afastarmos da cidade – há uns 8km de Gramado a pressão chegou a cair devido a desidratação – em um jardim junto a um dos paredões fizemos uma pausa para comer o que ainda possuíamos (mariolas). Na última subida antes de chegarmos, ficamos apreensivos devido a uma lomba que pensamos ainda ter de subir para chegar em algum lugar, mas após a curva e para nosso alívio, encontramos a cidade e um lugar para almoçar. Durante a tarde esperamos o sol baixar no Lago Negro, descansando e remendando algumas câmaras furadas no percurso (alguns trechos são bem sujos). Na saída fizemos uma visita à Gaudério Adventure, loja local onde adquirimos as caramanholas e suportes que estavam faltando.

Rumamos à Canela, onde passamos a noite na casa de um casal de amigos de meu companheiro. Organizamos as coisas para partir cedo no dia seguinte pois faríamos cerca de 180km até Osório, passando por São Francisco de Paula, Taínhas e Terra de Areia – a famosa rota do sol… e bota Sol nisso. Não fosse o descanso na casa do Fábio e a atitude maravilhosa de seu colega (que foi pra Canoas) de nos emprestar seu leito, não teríamos dado cabo da missão.

Como dizem os locais “de Canela pra São Chico só desce”, mas é um (sobe)desce infinito, a RS-235 é local perfeito para exercitar as pedaladas e a memoria fotográfica – estrada de asfalto liso, com pinheiros e campos a perder de vista – com mais ou menos 35km de extensão.

Nas rotulas as placas parecem confusas, por pouco (pouco mesmo, 2km apenas) não fomos parar novamente em Taquara pela RS-020. Voltamos para a direção correta (com a ajuda do GPS dos celulares) onde encontramos mais subidas e lugares de encher os olhos. Mas parecia que a estrada não tinha fim, não vimos nenhuma residência por quilômetros. Fizemos a primeira pausa na entrada de uma fazenda pois fomos picados por algumas abelhas que estavam na estrada, azar o nosso. Já eram 13:30 quando subimos na bike novamente rumo a Taínhas. O caminho entre São Chico e Taínhas teve 39km de extensão, asfalto novo e com pinturas a serem finalizadas, o trecho parecia pouco habitado, mas bem agradavel.

Chegamos (finalmente) na rotula da 020 com a 453 (Estrada Rota do Sol), tínhamos a fome como inimiga, porém um largo acostamento a nosso favor. Após 15kms encontramos um posto com restaurante e lá conseguimos alguns salgados, já que naquela hora não serviam mais almoço. Os habitantes dali nos assustaram bastante com relação a descida que nos esperava, como nunca havíamos passado por aquela rota nem de carro, acabamos por descobrir que havia uma descida de cerca de 14km de extensão, com curvas, uma faixa apenas, sem acostamento e com dois túneis mal iluminados.
Seguros da revisão das bikes e com bastante energia positiva seguimos os 8km que ainda faltavam para chegar lá.

Já na descida as curvas realmente impressionaram, lugares sobre pilares e movimento de carros e caminhões apenas de 3 em 3 minutos – calculamos o gap e descemos – e parecia que as mãos iam quebrar, o STI não facilitou a frenagem em nada, não recomendamos em caso de turismo na rota, a tensão nas mãos atrapalhou um pouco no aproveitamento da vista. Chegamos no primeiro túnel, o mais largo, entramos cheios de coragem e descobrimos a total escuridão lá dentro – e sem acostamento – por sorte tinha uma passagem de pedestres onde desmontamos das bikes e atravessamos cuidadosamente – havia muitos pedaços de carros batidos lá dentro.

Com as mãos levemente descansadas da curta caminhada, esperamos o gap e partimos novamente, passando pelo segundo túnel da mesma forma. Cansados, parece que demorou horrores para chegamos em Itati, que fica a caminho de Terra de Areia. Pausamos novamente em uma tenda para nos hidratarmos com um maravilhoso caldo de cana. Também descobrimos que até Osório ainda teríamos mais 60km, partimos apressados, pois já passava das 17hs e logo escureceria. O Caminho era bonito, cercado de montanhas, com muitos animais na beira da pista, chegamos a ver (e ficar aflitos) a travessia de um lagarto (que julgamos) gigante.

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Ao chegar em Terra de Areia passamos reto, entrando na 101 apressados e com ainda 40km pela frente. Para a nossa sorte o vento estava a favor, pedalando mantínhamos media de 40km/h até começar o azar e furarmos todas as câmaras com as farpas de pneus acumulados no acostamento. O sol estava baixo e mesmo assim paramos 6 vezes para trocar câmaras e remendar elas em alguns casos. Particularmente aquilo me irritou muito, pois quando conseguimos consertar o pneu do meu companheiro, foi o meu que resolveu dar problema. O primeiro foi entrando num túnel de mais ou menos 2km que, para minha alegria, tinha um acostamento largo e muitas luzes, mesmo assim, senti que o pneu furou e segui descendo com cuidado para não baixar demais. Trocamos rápido e dali faltavam apenas 10km até Osório, onde já tínhamos socorro nos esperando. Chegando a cerca de 3km da entrada, furamos novamente o pneu e dessa vez parecia que tudo ia dar errado. Já eram 20:30min e o movimento da rodovia já havia ficado mais intenso. Consertado chegamos cansados e aliviados até o carro que nos esperava.

Optamos por realizar a travessia da Estrada do Mar no trecho Osório > Cidreira de automóvel pois a via encontra-se em obras ou até mesmo esquecida há pelo menos um ano. Até de carro foi dificil de passar por lá.

Quilometragem total: 333,2km
Elevação total: 4.058m
Vel Média: 20km/h

Bicicletas utilizadas:
Daniela – GT Séries’14
Alex – SPZ Allez Comp’13

Itens levados em cada bolsa de selim:
– 2 bermudas leves;
– 2 camisetas de dryfit;
– 1 par de meia extra;
– Roupas íntimas;
– 1 toalha média;
– 1 Anorak;
– Ferramentas (chave allen, câmaras, carregadores e espátulas).

Itens levados na mochila de Hidratação:
– Pomada de assadura;
– Remédios em geral/curativos;
– Carteiras de identidade;
– Protetor solar (F50).

Itens levados na mochila (improvisada) de guidão:
– Mariolas;
– Paçocas;
– Pastilhas de freio extras;
– Dinheiro caso necessário.

Nas camisas levamos bomba de ar e celulares.

 

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