Cansado dos problemas com as sapatilhas rígidas de MTB no dia a dia de entregas, resolvi comprar uma “sapatilha tipo tênis” pra minha rotina messenger. E foi perfeito.

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Eu tive sorte no garimpo de uma usada, em estado de nova, por R$250,00, e ainda ganhei tacos Shimano impecáveis junto com ela. Esse modelo de sapatilha é relativamente fácil de encontrar no Brasil, e custa de 400 a 500 a reais. Como sempre, as taxas de importação quase inviabilizam o produto. No amazon.com tem pra vender por U$60,00 o modelo novo, na caixa.

O quanto eu usei essa sapatilha? Por mais de 1.000 entregas em bicicletas. Desde o começo de 2016, mais especificamente dia 6 de janeiro, e sigo usando.

Prós:
– Muito resistente;
– Leve;
– Respirável;
– Seca rápido;
– Discreta;
– Altamente caminhável;
– Confortável.

Contras:
– Para pedalar forte, a sola é muito maleável;
– Cadarços não são tão práticos quanto velcros e catracas;
– Exposição dos tacos;
– Não é ótima com qualquer pedal mtb.

Uso indicado:
– Commuting;
– Mensageria;
– Cicloturismo;
– Mountain bike trancadíssimo.

A Pearl Izumi parece levar a sério o que está fazendo, ao contrário de algumas outras “grifes” em aparato ciclístico… É o primeiro produto da marca que tenho contato pesado diário, e realmente, ele não deixa nada a desejar. Tenho mais alguns colegas de profissão que tem contato com produtos da marca e ainda não ouvi queixa, principalmente se tratando de sapatilhas.

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A X-Alp é super forte, no meu exemplar não tem NENHUM sinal de descolamento da sola, como acontece em várias sapatilhas de várias marcas. O desgaste da superfície que fica em contato com o solo, quando se está caminhando, é bem pequeno e está dentro do esperado. É uma sapatilha muito confortável pra caminhar porque é projetada para mountain bike trancado, onde é preciso carregar a bicicleta pra cima e pra baixo de pedras, muitas vezes repletas de lama ou de limo, no meio de uma floresta fechada ou numa pedreira intransponível, quando montado no selim. Diferente das sapatilhas populares de mountain bike, a X-Alp tem uma sola feita em borracha super aderente, que mais parece um tenis de trekking, e gruda no chão de maneira mais confiável, se comparado às sapatilhas rígidas.

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Ela é uma alternativa para quem utiliza a bicicleta para mensageria: oferece muito conforto nas horas fora do selim, nas escadas, nas filas de bancos e elevadores, nas caminhadas até o poste em que a tua bike está presa. Além disso, o custo benefício compensa na durabilidade. Até agora, é a sapatilha mais durável para o uso rigoroso que o ofício nos obriga, justamente por ter sola maleável estilo tênis comuns. Dá pra usar ela nas mesmas condições de um tênis!

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Também atende perfeitamente commuters que vão até o trabalho/estudos/bares/mercados de bicicleta. É confortável como um tênis. Se a tua rotina não se resume a ficar perambulando a pé por aí, essa sapatilha parece uma ótima alternativa (se for pedalar poucos km e ficar perambulando, use tênis). Aos olhos dos outros, é um tênis, mas pode melhorar teu rendimento e conforto na kilometragem de ida e volta seja pra onde for.

Pra quem pratica cicloturismo e faz questão de ir clipado, não pretende levar outro par de tênis, vai passar por estradas terríveis, vai empurrar a bicicleta montanha acima, é uma opção também. É durável. É confortável. Eu não viajaria com ela em climas com temperatura média abaixo dos 15ºC: é uma sapatilha de verão.

Essa sapatilha tem uma particularidade: para longas pedaladas (leia-se 20km ininterruptos ou mais), ela PRECISA estar acompanhada de um pedal clipless integrado a uma plataforma, como o da foto abaixo:

pedal crankbrothers malletFoto Vital MTB – acredito que esse estilo de pedal seja o ideal/perfeito. Existem modelos com plataformas menores que também solucionam o problema, como o Crank Brothers Candy, Shimano M530 ou similares.
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Meu pedal Shimano M530 do uso diário

O motivo? A maleabilidade da sola. Como ja expliquei acima, a X-Alp é bem parecida, inclusive na sua construção, com um tênis, isso faz com que, apesar de clipado, a sapatilha não seja exatamente uma estrutura firme para sustentar toda a força impelida nos pedais, o peso do ciclista e os movimentos naturais da pedalada. Com pedais M520 da Shimano, desenvolvi uma pequena lesão no tornozelo esquerdo. Apesar dos taquinhos instalados por um bike-fitter, a posição da pedalada era afetada pela maleabilidade da sola. Era mais ou menos como pedalar de tênis comuns sobre pedais clipless sem plataforma. Os pés não ficam bem apoiados porque a sapatilha, sozinha, não serve como base. Não sei se todos os modelos do segmento tem essa característica.

A sapatilha também não é uma maravilha pra fazer força de puxada dos pedais, fixação do tipo cadarço, a carcaça maleável como um tênis e a sola de borracha não conferem rigidez ao conjunto o suficiente para fazer força de puxada, seja em algum sprint, subidas ou single-speed bikes. O recomendado pra um bom rendimento com ela é um bom pedal clipless com plataforma embutida e alta cadência.

A sola da sapatilha, depois do desgaste gerado pelas caminhadas, faz com que tacos novos fiquem aparentes e parece que eles são a primeira coisa a tocar no chão quando caminho. Questão de milímetros, mas que entristece: certeza que em pouco tempo os tacos novos estarão limados como os antigos. Caminhar no asfalto ou em calçadas de pedras ásperas é como esmerilhar a cada passo a ponta do taco novo.

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A nível de curiosidade: com a X-Alp, pedalei por meses numa bicicleta single-speed, aro 700, com relação 42×16 e pedal Shimano M520, o que por um bom tempo (5 meses) não foi um problema. Já faz um tempo que aumentei a cadência média diária, rodando com uma relação de 48×20 e um pedal Shimano M530: ficou melhor pra subir, perdi um pouco de velocidade final, mas ganhei muito conforto e com certeza prolonguei a vida útil da sapatilha.

Obrigado Hell Lane, pelas meias!
Obrigado Freitas, do Expresso Patagonia, pelas fotos!

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