Cicloturismo GT Karakoram Cubo Schmidt Rohloff Cromo vbrake magura 2

Um dos primeiros freios hidráulicos inventados – antes dos freios a disco – foi o Magura HS-33, famoso por “amassar aros” devido à sua força hidráulica, e muito usado por mountain-bikers dos anos 90 que conseguiam comprar, e também até hoje por atletas de bike-trial.
Quando eu escolhi as peças para a bike, fiz questão de evitar freio a disco, por buscar algo mais “clássico”, então seguindo a linha de comprar as peças mais famosas, nada mais famoso para freio de aro do que os Magura HS-33.

Pontos Positivos

  • Acionamento hidráulico permite andar na chuva e no barro indefinidamente sem precisar trocar os cabos – é algo que eu sentia muito com v-brake, por andar preferencialmente na chuva: ter que trocar de cabos com frequência, ou conviver com cabos “duros”;
  • A balaca não vai ficando torta à medida que gasta, pois ela corre paralela. Existe um parafusinho no manete que a gente vai apertando à medida que a balaca gasta;
  • O sistema hidráulico é muito bem vedado, nunca vi vazar nem sinal de óleo em vários anos de uso, e nunca sangrei o sistema (nem pretendo).

Pontos Negativos

  • O freio não freia! As balacas originais são muito ruins, tanto secas quanto molhadas (não muda muito). O meu modelo veio sem a ferradura de reforço. Achei que fosse esse o problema e comprei ferraduras. Melhorou, mas nunca ficou tão bom quanto o que eu estava acostumado no v-brake. Eventualmente consegui botar balaca de poliuretano na frente, onde a frenagem era pior. Melhorou bastante, mas quando chove (ou seja, no caso de uso mais típico dessa bike) a frenagem dianteira fica ridiculamente fraca, perigosa até;
  • Alavanca é dura. Apesar de ela não ir piorando com o tempo, a mola do sistema torna a alavanca dura. Tem que fazer bastante força antes de começar a frear de fato, e é muito cansativo ficar parado numa descida ou subida, com a bike freada. Nem se compara com disco hidráulico, ou mesmo com v-brake bem regulado;
  • Instalação inicial requer nervos de aço! O freio vem com as mangueiras montadas, mas com um comprimento enorme. A instrução do manual é CORTAR as mangueiras no comprimento CORRETO, e SEM APERTAR A ALAVANCA, remover o toco que fica na pinça e trocá-lo por uma outra peça minúscula que vem no conjunto, e então dar o aperto com uma chave de boca 8mm. Quando eu fiz isso, eu cometi algum erro que não lembro, e por sorte consegui corrigir, mas foi muito, MUITO tenso, e isso que eu me considero alguém com habilidade mecânica muito acima da média. Não me ocorreu também levar numa oficina, porque eu acho que essa responsabilidade era minha, e a chance de dar merda seria total, praticamente colocar o mecânico numa roubada de propósito;
  • Ajustar a posição da balaca é bem chatinho. Tem que soltar quatro parafusos, girar o pistão dentro de uma bucha até achar a posição desejada, e apertar os parafusos sem que o alinhamento se perca. Geralmente isso demora e requer várias tentativas. Muito chato na minha opinião;
  • A regulagem de desgaste da balaca é muito limitada. Pra começar, como a distância entre os pistões é praticamente fixa, usar o freio com um aro muito estreito é praticamente impossível. Quando tive de fazer isso, todas as regulagens ficaram no máximo, inclusive a do manete. A balaca também gasta com uma velocidade perceptível, de forma que logo se chega ao fim das regulagens, e daí em diante a tendência é o freio ir baixando até o manete encostar no guidão, e ser necessária uma nova regulagem nas pinças;
  • Encontrar peças no Brasil é bem complicado. Pra achar as balacas de poliuretano, tive que pagar de frete mais do que o valor das balacas propriamente ditas, porque só tinha numa loja em São Paulo, e eles só trabalhavam assim. Entrei no site da loja hoje e o produto nem está mais em oferta… Aparentemente está começando uma representação nacional da Magura, mas tudo ainda está muito em construção, o que não me cheira muito bem, ainda mais para esse modelo de freio de aro, que tende a ficar obsoleto daqui a não muito tempo.

Cicloturismo GT Karakoram Cubo Schmidt Rohloff Cromo vbrake magura 3

Compraria de novo?

Nem sonhando!
Em algum momento, essa bike vai voltar a ter v-brake, mas o HS-33 não é tão ruim que não valha a pena continuar usando ele, ainda mais com esse uso chuvoso da bike (prefiro os cabos sem manutenção, mesmo com essa questão da frenagem meia-boca na chuva). Caso eu troque de quadro, aí sim acho que o canal é freio a disco hidráulico, que tenho em outra bike que uso no commuting e amo de paixão, freia com um dedo, isso sim é qualidade de vida.