Cubo com 14 marchas internas. Por fora, é uma pinha só. Por dentro, são várias engrenagens planetárias em banho de óleo. A troca de marchas é feita por um grip-shifter no guidão. Entre todos os modelos existentes de cubos com marchas internas, este é o que tem maior quantidade de marchas, e é tido como o mais durável e mais confiável, sendo especialmente indicado para situações extremas, como viagens por regiões remotas.

Review cubo rohloff 500 14 speedhub marcha interna 2

Pontos Positivos:

  • Todas as vantagens de uma single-speed:
    • Corrente sempre longe do pneu – não suja tanto;
    • Limpeza da relação é muito rápida e faz pouca sujeira – igual a uma single-speed;
    • Pinha muito mais durável do que pinhas cassete (maior espessura, material melhor);
    • Libera espaço no guidão, pois não precisa de trocador à esquerda;
    • Menos tralha no quadro – sem câmbio traseiro nem dianteiro, somente uma coroa no pedivela;
  • As flanges altas deixam a roda muito forte – nunca quebrei um único raio em dez anos de uso contínuo;
  • Dá pra trocar as marchas parado no semáforo;
  • A indexação fica no cubo, não na alavanca, e os cabos não são puxados por mola. São dois cabos, um que puxa num sentido, e outro no outro. Portanto, quando a gente sente o “click”, é porque a marcha já foi trocada, o que causa um estranhamento (até hoje, pra ser honesto);
  • Manutenção mínima: troca de óleo anual, procedimento que dura poucos minutos e não requer habilidades mágicas;
  • Depois de todos os tipos de pauleira imagináveis, não apresenta nem sinal de folga. Pelo contrário, quanto mais eu ando, mais “redondo” e amaciado ele fica, pois as engrenagens tendem a se “auto-polir” com o tempo, by design, e ele vem bem justo de fábrica.
  • Empresa responde e-mails, dá a real e não esconde o jogo. Não têm muita frescura quanto a garantia, porque eles sabem que tu vai mexer, que tu vai esquecer de trocar o óleo, que tu vai andar com 200 quilos na bike, que tu vai entrar no mar pedalando… Se der problema, eles vão tentar resolver.
  • Usando uma relação 46 x 16, eu tenho a mesma amplitude de marchas de uma bike de 24 marchas com coroa 46x36x26, e eu posso reduzir isso ainda mais com uma coroa menor (já usei 39), embora com isso perca velocidade final. Acho que depende de quanto peso tu vai levar na bike, por causa das subidas.
  • Normalmente, ao trocar a corrente, ela não fica pulando, mesmo que a corrente velha estivesse um pouco passada.

Pontos Negativos:

  • Troca de marchas é desconfortável – precisa girar bastante o grip-shifter. Deveria existir outro método de usar o cubo que não fosse aquele shifter, ou até comando eletrônico. O Shifter rapidamente perde a sensação de “novo”, ainda mais se pegar chuva e barro, e dali pra frente só piora;
  • A parafernalha externa ao cubo é engronhenta e potencialmente sensível; Trocar os cabos de câmbio requer prática, habilidade e sangue frio. No modelo CC, existe o cabo mais fino (não é o padrão de cabos de câmbio), que tem que ser dado X voltas ao redor de um miolinho… Para ter menos trabalho, há outro modelo com uma caixa de redução externa, mas isso resolve um problema criando outro, em minha opinião;
  • Contínuo vazamento de óleo, que deixa o entorno do eixo sempre meio “baboso” e cheio de fuligem preta;
  • Peso fica concentrado na roda traseira, se comparado com sistemas de câmbio normal.
  • Não é tão eficiente, em termos de rolagem, quanto sistemas de roda livre normais. Ele chega até a girar o pedivela junto, quando empurra a bike. Para quem gosta de performance imaculada, isso é um problema;
  • Trocar o óleo não é difícil, mas tem que ser o óleo deles. Eles não autorizam o tipo de nenhum outro óleo, por risco de danificar peças plásticas que existem dentro do cubo, etc.
  • Encontrar peças pode ser um problema. Eu tenho sorte de que o único representante Rohloff da América Latina, que é a Teutobike, está a poucos minutos da minha casa. Mas não é mais que um acaso.

Manutenções/problemas que já tive:

  • Já troquei o óleo umas dez vezes, normal;
  • Já tive vazamento nas vedações laterais. Entrei em contato com a fábrica, eles me orientaram sobre o que era necessário fazer – trocar retentores; Fiz a mão com a Teutobike, fui até lá, paguei os retentores, e eu mesmo fiz o serviço com uma ferramenta específica. Resolveu o problema do vazamento horrível, mas mesmo assim o cubo dá aquela babadinha constante – ele é assim, segundo o pessoal da fábrica;
  • Depois de uns 20.000 km, a pinha gastou. Ainda funcionava, mas estava horrível. Comprei outra e eu mesmo troquei, na Teutobike. Ficou muito melhor! Continuo usando essa mesma pinha;
  • Uma vez, durante um passeio, troquei tudo-de-uma-vez-só para a marcha mais leve, mas como usei muita força, o cabo esticou demais e ESCAPOU do engate. Somente por acaso, e com muita demora e dificuldade, achei duas chaves allen 2mm pra abrir o engatezinho, enfiar alguns fios da ponta desfiada do cabo dentro de um orifício minúsculo, e seguir o passeio. Achei uma falha de projeto ridícula para um componente com essa fama. Desde então tenho trocado de marcha de maneira menos cavalar.

Cicloturismo GT Karakoram Cubo Schmidt Rohloff Cromo vbrake magura 7Foto por Freitas Freitas

Compraria de novo?

Talvez. Eu compraria esse um cubo de novo, pra ter, pois acho que na bike que ele está ele cumpre um papel compatível. Essa compra valeu, se pagou, e vai continuar em uso por tempo indefinido. Já montei outras bikes depois dessa, e nunca me passou pela cabeça usar Rohloff, tanto pelo preço salgado, quanto por inércia de montar a bike mais “normal”. Talvez um dia no futuro, com uma situação financeira mais folgada, eu comprasse para algum projeto específico, mas para única bike eu não recomendaria, para bike de alta velocidade eu não recomendaria também. Agora, bike que vai carregar peso, tomar pau, e ser usada como mula de carga, sem compromisso de eficiência ou velocidade, é uma alternativa sólida a ser considerada, e que tem os seus poréns.

Texto e Fotos por Helton Moraes, exceto quando citado.