Os dínamos servem para alimentar os faróis da bike usando o a rotação da roda dianteira como fonte de energia. Existem dínamos tradicionais que são aqueles de antigamente, que encostam no pneu. Existem também versões mais modernas e melhores, onde as bobinas que geram eletricidade ficam dentro do cubo. Dentre esses, o mais famoso do mundo, de longe, é o Schmidt, inventado e produzido por Wilfried Schmidt, um engenheiro mecânico alemão que faz praticamente só isso até hoje.

review dinamo schmidt son 28 klassik credito sjscycles
Créditos SJS Cycles

Pontos Positivos:

  • Nunca mais sem pilha. Nunca mais sem farol. Nunca mais sem luz. Agora isso faz parte da bike. Permanente;
  • Cubo que não incomoda, não dá manutenção, nem tem como dar manutenção. Ele simplesmente está ali e gira e sai eletricidade. (exceto quando não – detalhes abaixo);
  • Ele produz MUITA luz, mesmo rodando devagar. Meu modelo (SON 28 klassik) é da época dos faróis halógenos (lâmpadas de filamento incandescente), então eles são tunados para atingir a produção nominal de corrente em velocidades bem baixas. Dependendo da configuração de farol, basta empurrar a bike que ele “liga”;
  • Ele é muito eficiente, tanto ligado quanto desligado. Quando ligado, ele gera um certo “arrasto”, mas de forma alguma isso incomoda quem está passeando ou mesmo fazendo um randonneur, e seria ridículo culpar qualquer desempenho “abaixo do esperado” à energia drenada pelo cubo. Eu diria que não é nem perceptível, embora seja real e significativo. Já com farol desligado ou desconectado ele roda tão bem ou melhor do que outros cubos normais;
  • A flange alta e bem afastada deixa a roda MUITO forte. Com este cubo também nunca quebrei raio, e não foi por falta de abuso;
  • Ele tem um acabamento polido que brilha escandalosamente, ainda mais quando limpo (coisa que só aconteceu quando era novo). Parece realmente uma peça de joalheria;
  • A fábrica responde os e-mails, e dá várias dicas de “tunagem” eletrônica, como construir o seu farol, que capacitores usar, etc. Nunca na vida que Shimanos e similares teriam essa postura. Nunca.

Pontos Negativos:

Nenhum.
Mentira…

Problemas que tive:

Eu fui o sorteado para ter um problema bem raro e bem problemático, mas o desfecho até que foi bom. Um belo dia, indo pro trabalho, percebi que a roda parecia travada. E estava mesmo, eu girava, e ela não dava nem meia volta antes de parar. Mas não eram os freios. Era o cubo mesmo. Quando voltei para casa, percebi que estava ficando cada vez mais pesado, até que ao chegar em casa, não conseguia girar o eixo do cubo nem com um alicate. E tinha ficado bem quente.
Mandei e-mail pra Teutobike e pra fábrica. A fábrica me explicou que até tal ano, uma das peças do cubo era de plástico, e poderia dar problema em circunstâncias específicas, e os novos já estavam vindo com a nova peça em metal, e a proposta foi de que eles me mandariam outro “com falha de acabamento” pelo preço de um conserto.
Desmontei a roda, levei o cubo na Teutobike – e fiquei bons meses andando com uma roda substituta, coisa que deu certo trabalho pra arranjar – ele foi pra Alemanha como de costume, levou o cubo na fábrica, me trouxe o outro. Não paguei o frete, paguei 120 reais para a Teutobike correspondendo ao conserto. Em troca, veio o cubo com “falha de acabamento”, mas juro que eu nunca vi falha nenhuma, o cubo brilhava que nem um diamante. Montei o cubo, e se comportou muito bem.
Em um segundo momento, resolvi pegar o cubo velho e mandar para um conserto mesmo. Novamente, ida e volta com frete “de brinde”, e me devolveram o cubo revisado e re-polido, brilhando muito, mas dava pra ver que era o mesmo pelas marcas dos raios e alguns arranhões.
Por isso que eu digo que quando a marca é séria, mesmo o produto que estraga vale a pena, pois hoje eu tenho dois cubos pelo preço de um-e-menos-que-meio…

Compraria de novo?

Sem qualquer sombra de dúvida, um retumbante SIM!! Compraria um para cada bike. Tinha que ser obrigatório por lei todas as bicicletas do mundo terem um dínamo Schmidt na roda dianteira.
O que ele é, isso sim, é caro, muito caro. Hoje passa de mil reais no Brasil. Se comprar direto, fica menos extorsivo, mas ele É caro de qualquer forma. Só que como ele economiza pilha e dura décadas funcionando, o preço por hora de uso tende a zero, com uma boa perspectiva de durar de fato várias décadas.

Texto e Fotos (exceto quando citado) por Helton Moraes

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