Bikehandling bikecheck Specialized Stumpjumper 1992 (1)

Frameset: Specialized Stumpjumper 1992 – Full Cr-Mo Tange. Tamanho 21′
Rodas: Cubos Shimano “Comuns”, raios inox e lâminas Vzan Escape 26, 36h
Grupo: Shimano 7v, câmbio traseiro Altus e passador dianteiro Deore. Cassette Shimano. Trocadores 7v Shimano “Comuns”.Pedivela Shimano Alivio “Japan” 22/32/42 175mm.
Pneus: Schwalbe Rocket Ron 26×2.1′
Canote/Avanço: Canote Oval 27.2 Alumínio. Avanço SPZ 130mm Full Cr-Mo
Selim: Specialized Comp 2009
Pedais: Shimano m540
Freios: V-brakes Shimano

Como todas as outras bicicletas que tive/tenho, tenho uma história com essa.

Essa bicicleta era do Julio Wilasco, o pilar da EcoBike Courier aqui de Porto Alegre, pessoal que dividimos asfalto e mesa de bar. O Julio comprou ela de um cara de São Paulo, que eu entrei em contato para perguntar mais sobre a história da bike, não resisti. Essa bicicleta ficou parada em uma vitrine de loja de 1992 até alguns poucos anos atrás. O dono picotou ela pra vender, e o Julio ficou com Quadro, Garfo e Avanço. Só que o Julio é baixo demais pra essa bike (sorte a minha) e rodou um tempo com ela em Porto Alegre, no asfalto, em alguns finais de semana. O Caio, outro amigo, arrematou ela do Julio quando ele desistiu de tentar esticar seu corpo pra caber nela e colocou ela para venda. Nesse meio tempo em que a bicicleta trocava de donos, eu sofria só de ver, estava quebrado ($) e via aquele pedaço de história passar pra outro cara de baixa estatura. (sorte né?!)

O Caio usou a bike um tempo, jogou bike polo (pra que isso?), deve ter jogado ela nos postes por aí durante as entregas pela EcoBike, colocou uma fita isolante horrível no top tube da coitada, um canote dourado muito feio e um avanço minúsculo com adaptador de espiga std para over. Eu sofria. Herege!!!

Não demorou muito para que ele se desfizesse da bike, e eu sabia disso, mas não precisava de outra bike. Já tinha 3 bikes do meu tamanho. Uma pra trabalhar, uma pra viajar rápido e uma mountain bike caindo aos pedaços, que era um frankenstein 29er artesanal, mas funcionava e ainda tinha um bagageiro monstruoso na frente pra levar qualquer coisa/ser vivo.

Num sábado qualquer, passei no Cláudio (meu mecânico oficial, guru em bicicletas e assuntos diversos, palhaço enrustido e patrocinador) e a boa bicicleta estava lá. Atirada em cima de uma cargueira, com o mesmo canote dourado, pedindo socorro. Prontamente peguei ela com carinho, arranquei fora o canote e abri a caixa de direção, para examinar (até então não sabia se era std com rosca ou sem). Examinei com o olhar clínico do Claudio, que me incentivava a comprar aquela maldita bike. “Tu nunca mais vai ver algo assim na tua frente. Deixa de ser burro, isso é cromo puro.”

Falei com o Caio,  e então levei ela pra casa pra pensar. Não preciso contar mais nada, além de que adquiri um frameset que nunca viu terra/lama, nunca lhe foi instalado bagageiro e nunca sofreu uso extremo desde o dia de sua fabricação, a 25 anos atrás.

Alguns vão sentir pena da bicicleta com essa configuração atual. É ÓBVIO que eu queria montar ela toda XTR de época 8v, pedivela octalink, thumbshifters, rodas mavic, vbrakes XTR com sapatas XTR, pneus com banda creme Specialized sem arame, canote de cromo ornando com o avanço e selim Selle Italia Turbo.

Mas pra que tudo isso?

Montei essa bicicleta pra usar. Se eu fosse buscar peças top de linha de época, além de gastar muito tempo e muito dinheiro, teria dificuldade de reposição de componentes, teria pena de dar o uso que quero dar pra ela, ia se transformar na bicicleta da vitrine e ficar mais 20 anos sem usar. Montei ela pra usar na chuva, pra ir pra trilha, pra subir a montanha, pra andar na lama e pular tocos de madeira, pra viajar com 30kg de carga e inclusive pra entregar, se for preciso, e ter muito pouco gasto e muito pouco estresse com manutenção. Quando ela chega podre, suja, enlameada, limpo as partes mais críticas e só. Às vezes nem isso, afinal, a relação de cassette e corrente custa 100 reais e eu troco em casa, depois de muitos mil km. Pra exemplificar: tenho uma Fuji Sportif com Shimano 105 10v em casa e movimento central PressFit, e toda vez que ela pega chuva ou barro, levo no mecânico especializado e gasto 100 reais só de mão de obra(isso é barato, o mecânico é amigo da galera. Em outras oficinas eu gastaria o dobro). A cada 2000km, uma corrente nova que custa 200 reais. Daqui a pouco, um cassette novo, mais 300 reais. Não vale a pena. O Igor, do Absorva, comenta que é a minha bicicleta de ir até a base da Pedal, quando trabalho de dispatcher (telefonista e despachante das entregas solicitadas) 1x na semana (ele não sabe que uso a Fuji pra ir à base EXCLUSIVAMENTE em dias de sol).

No fim das contas, a Stumpjumper é sensacional. Não deixa a desejar em nenhum aspecto – é uma nave. Beira os 12kg, mais leve que a minha Sportif de alumínio, Shimano 105 e garfo de carbono. É linda, não dá manutenção, anda muito na trilha, é muito confortável e custou, completa, no máximo 1500 reais.

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