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Essa foi a minha primeira viagem solo estando autossuficiente num percurso de 300km e tempo estimado de retorno. Carreguei comigo todo o necessário para comer, dormir e fazer reparos na bicicleta.

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A ideia era chegar nos canions de Itaimbézinho, região de Cambará do Sul, a 200km de Porto Alegre, acampar selvagem no parque nacional com a pretensão de ficar no local por um dia e então, no dia seguinte, descer a serra do Faxinal, uma estrada de aproximados 37km em declive médio e terreno acidentado, perfeito pra bicicletas mtb e não para a minha.

Dando continuidade aos nossos relatos coletivos, agora você vai acompanhar a primeira viagem solo do Freitas, nosso colega de Pedal Express e demais aventuras. Em breve, mostraremos todos os preparativos para a expedição que parte em Setembro/2016 e vai atravessar a maior cordilheira de montanhas do mundo, partindo do Ushuaia, deixando marcas de pneu na Carretera Austral em direção a América Central.

Saí de Porto Alegre dia 28/5 às 5 da manhã. Foi mágico chegar nos trechos mais interessantes e bonitos com o céu mostrando o raiar do sol entre nuvens e neblinas e inclinação elevada. Mantive a relação em 42×32 e parei em alguns momentos pra comer laranjas das muitas árvores que se vê no caminho até São Francisco de Paula.

 

Cheguei em São Francisco de Paula eram meio dia e algo. Almocei num restaurante local e paguei $22. O rango não era nada generoso pra quem opta por ñ consumir carne e derivados.

Logo que saí da cidade avistei uma boa grama na beira da estrada RS-020 onde parei pra fazer um café, sacar umas fotos e concluir que fui burro em comer no restaura. Poderia ter feito um almoço com o que trazia comigo. Também encontrei um amigo passando de moto 🙂 Ele estava indo à praia pela Rota do Sol.

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Eram quase 17h quando cheguei em Tainhas, a cidade vizinha de Cambará. Significava que teria que percorrer mais 50km até os Canions (30km de estrada pavimentada e 20km em chão de terra). Resolvi entrar na pequena cidade de Tainhas, abasteci meus recipientes com água e fui no mercado local – trivial. Comprei bananas, tomates e um chocolate. Conheci o Toninho, um senhor simpático que indicou o CTG da cidade para acampar. Seria inteligente antecipar o encontro do local de descanso visto que eu teria aproximadamente 1h pra percorrer os 50km sob a luz do dia.

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O CTG era uma pista de rodeio e ao fundo havia plantação de Pinus. Perdi um tempo até passar pelo labirinto de cercas e acessos. Montei barraca, catei algumas lenhas e gravetos, servi um vinho e comecei os preparos para o jantar e fogueira. Dormi cedo e senti alguns medos de criança quando dormia em casas diferentes ou com todas as luzes apagadas. Sendo minha primeira noite solo nessa pequena cicloviagem, meus pensamentos se estenderam pra viagem que vou percorrer alguns países da América do Sul, vivendo praticamente dessa forma, a partir de Setembro/2016. Gostei desses sentimentos.

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No dia seguinte acordei umas 9h. Fiz café e observei o tempo fechado com formação de nuvens carregadas. Desmontei acampamento e saí do lugar como ninja evitando deixar resquícios da fogueira, lixos, etc. Dei tchau pro burro e saí do labirinto chamado de CTG. Logo no início da estrada que leva até Cambará presenciei chuva forte e uma paisagem incrível, com subidas e descidas moderadas, porém frequentes.

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Mais uma vez cheguei na hora do almoço na cidade e parei num restaurante não tão simpático mas que servia uma refeição um pouco mais amistosa pra veganos/vegetarianos. Como a chuva seguia consistente, dessa vez foi interessante comer no restaura. Deixei R$28 dilmas no local pois tomei uma bebida de cola. Só o rango eram $24.

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Precisava percorrer 20km e tinha 3h para tal. Seria fácil se não fosse o nível da chuva e da dificuldade do terreno; Pura lama, terreno liso e eu estava com pneus estradeiros 35mm + as tralhas. Resvalei numa subida e numa descida. Bolsas caíram mas não me machuquei. Resolvi mudar os planos e voltar pra Cambará. Eu estava a 7km do restaurante.

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No caminho, havia um carro que andava mais devagar e não me ultrapassava. Resolvi perguntar sobre um santuário que aparentemente estava vazio e que tinha feito o famoso café pós-almoço há uma hora atrás. Ele disse que não iriam rolar festejos e que parecia um bom lugar pra eu acampar. Acho sempre bacana trocar uma ideia despretensiosa com os moradores locais e colher informações importantes sobre alimentação, camping selvagem, etc.

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Antes de me instalar no local, dei uma volta pé pelos arredores e achei um lugar convidativo pra um banho. A sensação não era agradável pois fazia frio e chovia gelado. Gosto dos desafios de enfrentar o frio. Banho revitalizante e expresso!

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Minhas roupas de chuva e pedal estavam encharcadas  e precisava manter elas mais agradáveis pro próximo dia. O lugar que escolhi pra acampar era coberto. Criei um varal, armei uma fogueira com madeiras úmidas e alguns gravetos secos que dei sorte em achar – eles foram fundamentais pro início do fogo com sucesso. Aguardei o início da noite e acendi.

Foi um bom momento, mas confesso que gostaria de estar nos canions. Deixei minha mente viajar num livro que levei, calor da fogueira e uma caneca de vinho. Com isso, pude planejar o dia seguinte.

Como eu estava num dos pontos mais altos do estado, eu iria presenciar algum trecho com uma boa dose de descida no meu retorno pra Porto Alegre e eu só precisava escolher. Já havia decidido evitar a Serra do Faxinal, então optei pela Rota do Sol.

A Rota do Sol tem um forte significado pra mim. Foi a primeira estrada aberta que pude descer de skate acompanhado de amigos praticantes do downhill speed.

Dormi tarde. Estava sem sono devido ao café e os poucos esforços do dia pois pedalei apenas um turno, também não tinha fome devido a alimentação no restaurante. Havia trazido um pedaço de provolone. Fiz um espeto com graveto de Pinus – o famoso – e assei alguns pedaços do queijo.

Achei desnecessário montar a barraca e resolvi dormir Bivak. Acordei várias vezes e num momento acordei com dois bois me olhando por fora do local coberto, que cagaço! No dia seguinte, 04h:15min estava de pé, fazendo café, aveia acompanhado de banana, semente de girassol, cramberries, leite de coco e levantando acampamento.

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Assim que saí da estrada de chão, parei num posto – ainda fechado – pra fazer pequenos ajustes no freio. Fiz outros checks e me dirigi a estrada que já havia passado para acessar a ERSC-483/Rota do Sol e prestigiar um nascer do dia incrível.

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Sendo este o último dia, eu sentia um pouco de ansiedade em chegar no trecho de declive de 11km. Considerei este o momento mágico do dia de retorno. Ri muito, falei sozinho, gritei e viajei nos meus pensamentos. Tentei filmar o trecho com a câmera DSLR presa com câmara de ar e fita isolante na bolsa de guidão mas o vídeo saiu todo tremido. Nem a foto do registro da peripécia ficou boa. A clássica adrenalina + afobação que me afeta deu nisso…

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No final, parei numa tenda pra almoçar pão caseiro e caldo de cana. Percorri o caminho até Capão da Canoa pra pegar o ônibus de volta. Felizmente cheguei na rodoviária faltando 20min pro bus com destino a Porto Alegre sair. Pena que era o “pinga” – aquele que para em todas as praias. Achei que fosse dormir no caminho mas estava despertado, ouvindo música e olhando à direita da janela toda a extensão da serra, pensando no próximo destino.

*Agradecimento especial ao amigo e colega Lucas Bittenca por emprestar o power bank e garantir gravar com sucesso a informação no Strava.

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