“Seguíamos descendo por esta trilha pedregosa e cheia de curvas, me fazendo pensar o porque de subir tanto para depois descer tudo e ter que subir outra vez! Enquanto minha mente se distraia voei e só me dei por mim no chão, estirado debaixo da bike!”

bikepacking bikehandling cascatas e montanhas (1)

 

Nessa semana vamos repostar um relato de uma viagem de três dias pelo interior do Rio Grande do Sul, pedalando no  Circuito das Cascatas e Montanhas. O registro é do blog do Igor Absorto, que me acompanhou por esses dias em bicicleta – quem tá escrevendo aqui é o JV. Foi a primeira viagem que fiz com os equipamentos da elevenbags, as primeiras bolsas de bikepacking da marca foram testadas nesta viagem.

Leia as palavras do Igor:

“Fazia um tempo que pesquisava sobre esses roteiros de cicloturismo que vem surgindo nos últimos anos. O Circuito das Cascatas e Montanhas por ser bem próximo de Porto Alegre era um dos que mais chamava a atenção e mais de uma vez tinha pensado em percorrê-lo a pé, ao invés de bicicleta. Quando o João me convidou para ir com ele não precisei pensar muito, de bike não precisaríamos de muitos dias nem de muita logística.

O roteiro é dividido em 4 etapas que é o formato que sugerem que seja feito, iniciando por Rolante, seguindo por Riozinho, Boa Esperança, São Francisco de Paula e retornando pra Rolante. Com uma média de cerca de 35km por etapa e paradas estratégicas para pernoitar nas cidades com infraestrutura. Preferimos fazer o trajeto em menos dias e de forma autônoma, levando nossa própria comida e acampando onde fosse possível. Dividimos em 3 etapas de cerca de 50km cada, sem fazer muita questão de decidir exatamente onde pararíamos a cada dia, tornando mais solta a viagem e deixando mais liberdade para mudanças de ideias pelo caminho.

Dia 1 – Porto Alegre

Acordamos cedo e fomos até a rodoviária para pegar o ônibus até Taquara/RS. O ônibus das 07h00 estava lotado e tivemos que aguardar para pegar o das 09h00. Embarcar no ônibus com as bicicletas é sempre uma luta, para piorar a cobradora lembrava de termos embarcado outra vez e ela ter deixado claro que aquela seria a última…  estávamos tentando a sorte, com um pouco de insistência conseguimos e dessa vez sim seria a última😛

Desembarcamos passando das 10h em Taquara, duas horas mais tarde que o planejado, e prontamente pegamos o asfalto rumo ao inicio do Circuito. No caminho a fome ia começando a corroer nossos pensamentos… o plano inicial era um lanche em algum lugar já bem pra frente do percurso, mas como tudo tinha atrasado optamos por parar num restaurante bem no pórtico de Rolante.

Todas as variações possíveis de carboidratos ingeridas, barriga cheia, sol rasgando a pele e lá vamos nós! Poucos quilômetros adiante entramos de fato no centro de Rolante, a ideia era pegar o manual do Circuito, mas obviamente em cidade pequena tudo fecha nesse horário.

Seguimos então confiando só nos logs que tínhamos baixado e nas placas informativas. O sol estava fritando nossa pele e a sensação de calor no vale de Rolante era altíssima. Me fazia lembrar do documentário que assisti outro dia sobre ultramaratonas no deserto e essa lembrança mantinha minha mente sólida.

Só por volta das 15h algumas nuvens começaram a rolar pelo céu e até trouxeram alguns pingos de chuva. Mal tínhamos começado e já estávamos enfrentando subidas íngremes e com pedras soltas que nos fizeram empurrar as bikes, algo que eu não imaginava que rolaria nesse Circuito que é classificado como de nível iniciante.

Mas já que tem montanhas tem que ter cascatas! A primeira do Circuito é a da Colônia dos Monges, em um terreno da Prefeitura, o acesso é fácil e pudemos chegar com as bicicletas quase até a água. A cascata tem uma queda de cerca de 2 metros de altura, e quando estivemos lá estava com pouca vazão então nos refrescamos direto debaixo da queda! Um banho gelado e forte massageando nossos corpos e refrescando nossas mentes! No terreno tem uma torneira onde aproveitamos para recarregar nossas garrafas e bolsas de hidratação.

bikepacking bikehandling cascatas e montanhas (2)

A tarde ia correndo, mais e mais nuvens se acumularam no céu encobrindo totalmente o sol. Já estava chegando a hora de encontrar um lugar para passar a noite. Uma última subida íngreme já debaixo de chuva fina e gelada e encontramos uma bifurcação para uma estrada menor e nessa uma antiga estrada já há muito abandonada onde escolhemos montar nosso acampamento.

Fizemos um reconhecimento do terreno, a chuva deu uma trégua e enquanto o João armava a barraca, eu estendia o saco de bivaque, depois iniciamos a janta. Cardápio de hoje: Massa instantânea com Feijão Carioquinha Orgânico pré pronto, batata palha, azeite de oliva e pimenta, bastante pimenta.”

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Parte do percurso no Strava.