O clima de viagens em bicicleta está presente nas nossas vidas e, particularmente nesse carnaval, ela veio a tona com a possibilidade de juntar a vontade de duas pessoas: a primeira viagem de bicicleta, e chegar na cidade da família pedalando. Uns dias antes do carnaval, estávamos na Vulp e resolvemos ir.

Estava decidido, viajaríamos, Isadora e Tássia, autônomas, independente de qualquer coisa. Nossa maior preocupação era onde íamos dormir, nossa ideia era o acampar selvagem, em bosques, campos ou praias, mas sabíamos que nem sempre ia dar. Tínhamos receio de estarmos só nós duas com bicicletas que chamam bastante atenção. Sabíamos que seria necessário sentir o clima dos lugares.  Estávamos confiantes, pois temos experiência nos reparos com as bicicletas, em pedalar, em acampar, etc, mas aquele frio na barriga e a empolgação a gente não conseguia esconder.

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O BikeHandling não nasceu para mostrar experiências de um núcleo de pessoas. O BikeHandling, aos poucos, vai se tornando um coletivo de postagens e relatos. Queremos servir de plataforma para pessoas relatarem suas aventuras. Vamos apoiar indivíduos que compartilham do mesmo sentimento, permitindo através desta página que tenham maior visibilidade. Para relembrar daqui dez anos ou servir de inspiração para outras pessoas seguirem o mesmo caminho. Para enviar sua aventura entre em contato com a gente POR AQUI.

O primeiro relato é de uma ida de 450km entre Porto Alegre e Pelotas, feito pela Isa e pela Tássia. Siga lendo as palavras delas e um bom rolê:

Decidimos então pegar a BR 101, que possui o menor fluxo de automóveis e liga Porto Alegre à Rio Grande. Começamos então a entrar em contato com amigos que já haviam feito essa viagem, para pensar nas nossas paradas.
Junto com isso, fomos encontrar com o André Castilho @elevenbags para fazer nossas bolsas. Queríamos um kit de bikepacking como o do João e do Ogro: bolsa de selim, quadro e guidão. Assim, a viagem começou a tomar forma.

Dia 01 | Porto Alegre – Bacupari: 128km

Saímos às 05h15 e ainda estava noite e a lua estava linda no céu. Pedalamos pela Av. Ipiranga com o gostinho de quem esta pedalando no pátio de casa e com o sorriso no rosto confirmando: estamos indo.
Nosso primeiro e único desafio de altimetria, era a Lomba do Sabão, na saída de Porto Alegre por Viamão, que não foi nada difícil no fim das contas. Mas a Tássia, estava de fixa, com relação 52×17 e com carga, o que nos preocupou um pouco.
Nisso, acontece o primeiro encontro entre cicloturistas. Sabíamos da possibilidade de encontrar com três amigos, Freitas, Mario e Palito, que fariam o mesmo trajeto porém em ritmo diferente do nosso. Esse primeiro encontro nos deixou bem empolgadas. Depois de alguns kms, começou o engarrafamento, pois era sábado de carnaval e todos rumavam para a praia. Logo, os guris já tomaram a frente e distanciaram-se de nós.
Acontece então nossa primeira -e única- perda, a pazinha de dejetos que caiu da bolsa de selim e foi atropelada. Logo após, chegamos no pedágio -km37- e fizemos nossa primeira parada, e a ida ao banheiro gerou um zíper do Jersey quebrado. Nota mental: sempre levar linha, agulha e binder clip, que foi o que salvou, pois o kit costura não levamos. Poucos kms depois, paramos em um mini mercado e a Tássia costurou o fecho.
Chegamos com uma hora de antecedência em Capivari do Sul, as 10h, e paramos para o almoço. Aí nosso primeiro erro. Ao invés de antecipar kms, resolvemos descansar e comer. Almoçamos as 11h30 e as 14h já estávamos prontas e descansadas, mas o calor estava insuportável. Marcava 51ºC no Garmin mas decidimos seguir.
No fim do dia foi quando sentimos a consequência, por estarmos assoleadas e desidratadas o pedal não rendia e não chegávamos nunca. Quando nos aproximamos da entrada de Bacupari, surpresa, 10kms de paralelepípedo. Resolvemos empurrar as bicicletas.
Bacupari estava lotado e a gente muito cansada. Demoramos 1h para encontrar um camping e um lugar para a barraca. Por fim, chegou a chuva, e vizinhos amistosos guardaram nossas bicicletas na garagem. Nossa ideia era ficar uma noite a mais em Bacupari, mas a festa rave que rolou ao lado da nossa barraca nos convenceu que aproveitaríamos o dia seguinte e seguiríamos nossa viagem a tarde.

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Dia 02 | Bacupari – São Simão: 56km

Dia lindo e a lagoa era realmente muito bonita. Passamos a manhã nela e a tarde voltamos para o acampamento, arrumamos as coisas e partimos, por volta das 16h.

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Foi aí que aconteceu o segundo encontro entre cicloturistas. Dois homens de meia idade, que tinham como meta conhecer todas as cidades do RS. Saíram de Torres e iam até o Chuí. Pedalamos com eles até a entrada de São Simão -que era um posto de gasolina-, eles seguiram rumo à Mostardas e nós buscávamos um lugar menos turístico para acampar. A ideia era ir para a praia do Farol da Solidão mas passamos da entrada e decidimos pernoitar em São Simão.

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Acabou que São Simão ficava de 6 a 12 kms (infos variavam) de estrada de areia fofa, tentamos ir empurrando as bicicletas mas fomos avisadas que era bem longe e retornamos para o posto, onde montamos acampamento em um pracinha próxima. Nessa noite tivemos um pouco de receio que algo poderia acontecer, estávamos acampando na beira da estrada, ao lado de um posto, e em frente havia uma mecânica e quatro casas. Depois, os moradores foram receptivos e vieram conversar conosco, ganhamos água gelada e mais tranquilidade. No entanto, passamos uma noite em estado de alerta, cada veículo que passava pelo posto era motivo para despertar.

Dia 03 | São Simão – Bojuru: 106 km

Nossa primeira parada foi em um paradouro no meio da manhã, onde conseguimos banheiro e wifi o que nos possibilitou saber onde nossos amigos andavam.
Mais para o fim da manhã resolvemos parar para comer uma melancia gelada, pois o calor já se intensificava, e surpreendentemente encontramos quem? Os guris. A partir daí, seguimos juntos até Rio Grande.
Almoçamos em Tavares, com objetivo de descansar na lagoa. Chegar na lagoa não era tão fácil assim -novamente areia fofa por vários kms- deixamos as bikes em uma pousada amiga e nos amontoamos em um taxi (sim) até a beira da lagoa. Combinamos com o taxista de nos buscar às 16h, pagamos 10 reais por pessoa pelo trajeto.

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No almoço vimos que a previsão do tempo não era boa, prometendo tempestade.
Nossa parada para dormir era em Bojuru (ou Bujuru), pegamos uma leve chuva na estrada até lá, quando chegamos, já de noite, resolvemos passar da entrada principal da cidade e buscar um lugar para dormir.
Entramos em um campo com árvores mais altas e decidimos acampar próximos da mais baixas, que eram bambus, preocupados com a chuva de raios que víamos no horizonte. A noite foi de chuva e calor intenso.

Continua…

Agradecimentos:

Veloma / Gaucha Bike / Eleven Messenger Bags 

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