Nesse post vamos mostrar um pouco do nosso equipamento para os 10 dias de viagem. Lembrando sempre que temos preferência pela autossuficiência, isto é, levamos todo o necessário para cozinhar nossa própria comida, roupas de pedal e conforto, dormitório capaz de enfrentar chuva, ventos fortes e temperatura amena, higiene e segurança.

O que é preciso pra fazer uma viagem de bicicleta gastando pouco? Pouca coisa. Se a viagem for bem planejada, e os métodos de cozinha e camping forem adequados para o local de destino, contando sempre com clima e geografia, basta usar os equipamentos certos que não vai passar grandes problemas. Caso contrário, acabará carregando peso além do necessário, passando frio ou ficando com os equipamentos molhados, podendo inutilizá-los.

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O que nós levamos:

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Cozinha:
-Panela de alumínio (2)
-Fogareiro a gás (2)
-Colher (2)
-Esponja
-Fósforos e isqueiros
-Sal e pimenta

Dormitório:
-Barraca Azteq Nepal
-Isolantes comuns (2)
-Saco de dormir de verão (2)

Roupa extra: (2)
-2 pares de meia
-Camiseta
-Bermuda
-Fleece
-Casaco de chuva
-Havaianas

Higiene/cuidados:
-Escova e pasta de dente
-Protetor solar
-Repelente
-Pomada para assadura

Outros: (2)
-Bateria externa
-Headlamp
-Pá de dejetos (sim, isso é super importante)

Reparos da bicicleta: (2)
-Câmara reserva e remendos
-Canivete multifuncional
-Cinta plástica (Cinta Hellerman) de tamanhos variados

Além disso, o equipamento básico de segurança na bike e iluminação, mochilas de hidratação com capacidade de 2L cada e 2 caramanholas, o que nos dava uma grande autonomia em pedaladas sem pausa, mais a alimentação, que consome em media 500ml de água por refeição.

De acordo com o desenvolvimento dos posts e do material produzido pelo Bikehandling vamos falando das particularidades e impressão de cada equipamento individualmente. Esse post serve de introdução para matérias posteriores e reviews de equipamentos específicos.                                                                                                                                                   Lembrando que estamos falando de equipamento para uma viagem planejada em clima temperado, na estação mais quente do ano, em lugares habitados. Para viagens em lugares intocados, mais longas, complexas e com temperaturas negativas, o planejamento é alicerçado de maneira diferente.

Algumas considerações:

Escolhemos fogareiros que usam minúsculos botijões de gás como combustível. O nosso modelo de fogareiro (Azteq Spark), é super leve (87g), tem forte potência combinado com o cartucho TekGas, nada leve (385g), ferve água num par de minutos, tem grande durabilidade (se bem planejada e executada, cozinha umas 15 refeições). É um fogareiro super prático e compacto e vai funcionar em quase todas as situações: no pequeno passeio que demos no país vizinho tivemos dificuldade em achar cartuchos de gás. Logo, para uma viagem mais longa, saindo de território nacional, simplesmente não funcionará (ou terá que carregar muitas cápsulas de gás). Em breve, mostraremos a solução para esse problema com um fogareiro artesanal produzido com baixíssimo orçamento.

Nosso saco de dormir e roupas essenciais estavam acomodados em saco estanque de compressão da poderosa internacional marca de equipamentos Sea To Summit, que preso ao guidão, não desestabilizou a bicicleta e nos economizou alforjes. O saco funciona perfeitamente como compressor de roupas reduzindo drasticamente o volume de seu interior por meio de fitas externas. A grande decepção foi a sua PERMEABILIDADE. Eu já havia constatado problema no meu primeiro exemplar (acionando a garantia fui atendido e me foi reposto o produto idêntico). O meu segundo exemplar também perdeu sua impermeabilidade em menos de 2 dias de viagem, o do João também. Se estivéssemos enfrentando chuva e temperaturas negativas provavelmente a viagem seria cancelada e passaríamos por sérios problemas, pois seria comprometida a capacidade térmica do saco de dormir e das roupas que estariam junto a ele.

Nós projetamos e desenvolvemos em conjunto com o André da @elevenbags nosso próprio BikePacking para essa viagem. Estes funcionaram perfeitamente em conjunto com as nossas bicicletas, suportando firmemente as travessias de estrada de chão completamente abarrotados de carga – para a quilometragem em via deserta, pedalávamos com 3,5 litros de água e comida para 2 dias (o que gera um grande volume e peso).

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Sobre a nossa alimentação: para aliar velocidade de cozimento, peso, volume e economia optamos por comidas instantâneas. Nossa alimentação nos dias de estrada, desconhecendo o paradeiro ao final do dia, foi basicamente composta por macarrão instantâneo, sopa pronta, polenta e sanduíche. Se houvesse um mercado próximo a nossa pernoite, aí sim poderíamos comprar algumas frutas e talvez uma sobremesa. Sempre andávamos com café da manhã para um ou dois dias e este era composto por aveia, granola, paçoca, açúcar mascavo, coco ralado, chia e linhaça, que são facilmente encontrados no Uruguai e que misturados com água nos sustentava para algumas horas de pedal pela manhã.

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Nós dois fomos com o mesmo modelo de bicicleta, Fuji Sportif, originalmente fabricadas para andar em estrada de asfalto e um pouco além dela. São classificadas como Adventure bikes: basicamente bicicletas de estrada munidas de freios a disco, com estrutura reforçada, com um razoável clearance de pneus (700×32) e assim facilmente confundidas com bicicletas de ciclocross. Suportaram fortemente todo o tranco e não tivemos problemas mecânicos em todo o percurso, fora um pneu rasgado. Não furamos nenhuma câmara apesar dos mais de 500km mesclados de asfalto e terra.

A barraca, que não é auto-portante¹, suportou com facilidade o terreno dos bosques uruguaios. Em algumas situações, inclusive, foi desnecessária. Sempre que permitido pelo tempo dormimos com vista do céu. Particularmente, acho que poderíamos ter feito isso todas as noites (se estivéssemos com sacos de dormir mais reforçados). Eu, Ogro, levei apenas um Liner, que é uma simples manta fabricada em tecido tecnológico super leve (230g) usada pra elevar a capacidade termica de sacos de dormir em até 11ºC, não resistente ao vento e umidade, que serve como saco de verão indoor. Admito que sofri um pouco com a condensação nas noites outside. O João, com saco de verão, também super leve (600g) teve mais sorte nas noites fora da barraca – apesar de ter levado os gramas a mais. Tínhamos conosco 1 unidade de saco de dormir de emergencia, de material aluminizado, que reflete o calor e repele água e é utilizado em casos extremos. Esse não foi necessário (e se espera que não seja) mas sempre recomendamos que cada pessoa da equipe da sua expedição, independente de onde seja, leve um.

¹como diz o nome, suporta em pé sua própria estrutura e não depende de espeques ou cordas, normalmente projetada com o cruzamento das varetas a partir de 3 ou mais pontos de sua fixação. Ideal para uso em areia fofa, neve e rocha.

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O mais importante para o sucesso da viagem é ter pleno conhecimento dos seus equipamentos, destiná-los ao uso que são propostos e estar engajado com o resto da equipe – ou consigo mesmo.

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